Eu tenho 30 anos, sou de 1980. Quando nasci Beatles já não existia mais e Lennon seria assassinado no mesmo ano, 9 meses depois do meu nascimento. 21 anos depois foi a vez de George Harrison partir. Em 1993, quando Paul McCartney esteve no Brasil eu tinha 13 anos e ainda ouvia Beatles brincando de bonecas, acreditem. Passei todos esses anos acreditando que esse era um show que eu teria que me conformar de morrer sem ver, era um fato consumado, sem dúvida.
Mas um dia acordei com a notícia de que estavam confirmadas as datas da apresentação da nova turnê do Paul, e logo sairam as datas de venda de ingressos. Foi tudo tão rápido que foi difícil acreditar no momento em que apareceu a mensagem na tela do computador dizendo que a compra havia sido finalizada. Inacreditavel também quando chegou o ingresso e a rapidez com que chegou o tão esperado dia. Tudo o que eu acreditava ser impossível, aconteceu e muito rápido.
A ficha caiu durante as duas horas de fila na frente do Estádio do Morumbi. Milhares de pessoas uniformizadas esperando anos e anos por aquele dia. A emoção aumentou quando entrei no Estádio e, embora não tenha sido tão rápido assim, parece que em um piscar de olhos as luzes se apagaram e o homem entrou no palco. Venus and Mars, Rock Show e a minha primeira explosão em Jet. A emoção apertou mais em Drive My Car, coração batendo descompassado.
My Love, dedicada a todos os casais, me fez sentir mais falta do namorado companheiro de tantos shows. Blackbird é covardia, os olhos lacrimejam assim como em Something, na minha opinião, a mais bela música de amor de todos os tempos. Falta do namorado de novo. Animadíssimas, Dance Tonight eMrs. Vandebilt, trabalho solo que nem curto tanto assim, boa mesmo e Band on the Rum e Let'em In, que eu nem esperava ouvir. Ob-La-Di, Ob-La-Da e Back in the U.S.S.R, momentos de alegria, gritaria, saltitante. I've Got a Feeling e Paperback Writer preparam o terreno pra lindíssima e emocionante A Day in the Life com Give Peace a Chance. Aí as lágrimas que só molhavam os olhos e se continham molharam meu rosto, mesmo com um sorriso imenso estampado. Let it Be por pouco não aumenta as lágrimas secadas após o espetáculo dos balões brancos que cobriam o público em Give Peace a Chance. Live and Let Die, fogos, mais emoção e Hey Jude, lindíssima com o povo cobrindo a voz do Paul, que deixa o palco aos nossos gritos de naaaa, na na na na na naaa, Hey Jude...
Antes de pararmos totalmente de cantar, Paul volta e toca Day Tripper, Lady Madonna e Get Back, cantada aos gritos por todos como se não precisássemos das nossas cordas vocais nunca mais. Mais uma saída e antes que desse tempo de tomar um copo de água ele volta de novo pro derradeiro bis da noite. Ao violão, sozinho no palco, Yesterday. As cordas vocais foram maltratadas outra vez em Helter Skelter e os pés já cansados foram judiados mais um pouco também, impossível não pular. O fim foi anunciado em Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band, 'we´re sorry but it´s time to go'. Ao final, a música com a frase mais linda que já ouvi, a maior lição de todas, The End: 'and in the end, the love you take is equal to the love you make'.A lágrimas molharam o rosto que agora eu já notava que estava dolorido e talvez com mais rugas por conta do sorriso que não me abandonou por quase 3 horas. Agora as lágrimas eram quase de tristeza, por tudo aquilo que tinha acabado de ver, inacreditavelmente. Nos olhávamos, eu e minha cunhada, companheira dessa aventura, e falávamos "eu não acredito no que vi". Eu ainda não acredito no que vi.
Poucos dias da minha vida eu gostaria de nunca esquecer. Esse com certeza é um deles, certamente um dos mais felizes até aqui.
22.11.10
O show da minha vida
20.11.10
Skank e as bandas nacionais
Eu devo ter nascido ouvindo rádio, então acho que tenho alguma autoridade pra escrever minhas opiniões sobre música. Hoje fui ao show do Skank no Citibank Hall, em São Paulo, e o que vi me fez pensar muito em tudo o que eu ouvi e ainda ouço.
Todas as bandas de pop-rock nacional que eu passei minha vida até aqui ouvindo praticamente acabaram. Ou então, o fim teria sido o que e melhor poderia ter acontecido. Exemplos claros são o Titãs (Quem é o Titãs hoje? O Branco Mello?) ou o Capital Inicial. Outras bandas chegaram num ponto bacana e pararam, por exemplo, Paralamas do Sucesso. Não me queixo do Paralamas, veja bem, mas pra falar a verdade, nem sei se eles não decaíram depois dos discos que eu mais gosto, do final da década de 90. Outras ainda já nem eram grande coisa, e continuam sendo quase nada, Ultraje a Rigor, Inocentes, Plebe Rude, etc. O fato é que a maioria delas, de uma forma ou outra, não sobreviveram ao ano 2000, perderam algo ou tudo.
Mas a história não é igual pro Skank. Com uma aparição um pouco mais tardia do que as bandas que já citei, eu lembro até hoje do primeiro clip que rolava na MTV, lá pra 1993. Não que eu gostasse. Mas o fato é que os caras eram estranhos, tocavam um som mais estranho ainda e não me agradava. Aí lançaram outro clip. E outro, e outro. A cada disco era inevitável notar que os caras cresciam, não necessariamente que me agradasse. Relutei contra o pop do Skank até o dia em que lançaram o Cosmotron, em 2003. Tinha que admitir, a banda aprendeu a fazer o que eu queria ouvir. E vieram as parcerias com o pessoal do Clube da Esquina, letras maravilhosas, melodias simples e sensíveis. Sim, uma banda de pop-rock, simplesmente, mais pop do que rock, mas é boa e só melhorou ao longo dos anos.
Hoje no show que durou quase duas horas vi minha adolescencia passar na minha frente. Músicas que por puro preconceito eu negava que ouvia, ou que gostava, afinal, eu era do rock. Foda-se. O pop tá aí pra ser ouvido. Músicas que tocaram tanto que não me permitia uma avaliação na época hoje me soam muito bacanas, como Pacato Cidadão, Tão Seu, Saideira, Te Ver, Jack Tequila. Outras, lindas, me emocionam, como Balada do Amor Inabalável, Resposta, Sutilmente, Ainda Gosto Dela. Outras animadíssimas, dignas daquelas festas loucas de final de ano, Três Lados, Vou Deixar, Garota Nacional, É Uma Partida de Futebol.
Sim, Skank cresceu. E hoje eu também cresci e admito, gosto sim do Skank. Se tiver oportunidade de ver de novo, não pensarei duas vezes. Já pra ver outras bandas nacionais, depende muito. Mesmo as que eu sempre, desde o início, gostei.
12.7.10
Lembranças musico-sentimentais
Afinal, como escreve isso? Com a revisão gramatical não sei mais. Mas enfim, acho que já disse aqui que minha vida tem trilha sonora. Isso deve ser muito comum pra quem vê na música a melhor e maior de todas as artes. Costumo dizer que música é a minha vida, sem ela pouca coisa é possível. Não passo sequer um dia sem música, mesmo que seja do rádio. Por isso resolvi listar aqui algumas coisas que me trazem lembranças boas e bem presentes.
Ceumar
Pouco conhecida, fora da grande mídia, suas músicas me foram passadas por ele, logo que nos conhecemos (ou nos reencontramos) via internet. No carnaval de 2008, numa balada anos 80, saí de lá com uma música dela na minha cabeça. Era Boca da Noite: Por amor ou euforia, tudo de novo eu faria. Tinha ficado com ele pela primeira vez.
Depeche Mode
Na mesma balada do carnaval, lembro que fui com uma amiga que me deixou só lá pela metade da madrugada. Ela foi eu fiquei e vi que deveria partir para o ataque, em busca do que eu queria. Já estava bem animadinha atilicamente quando tocou Enjoy the Silence e decidi que era isso mesmo que eu queria. All I ever wanted, all I ever needed, is here in my arms, words are very unnecessary, they can only do harm.
Eurythmics
Numa outra balada anos 80, comemorando meu aniversário, tinha só uma certeza, e não era favorável pra mim, não. Tinha quase certeza que não rolaria nada, que ele não tava tão afim quanto eu. Mas com o passar das horas e das bebidas, algo mudou, e rolou. Acho que foi ali que começou a rolar mesmo, que eu vi que ele era mesmo o que eu queria, era aquela pegada, aquele beijo que eu queria pra mim. Sweet dreams are made of this, who am i to disagree?
Velvet Underground
Era Velvet Underground que tocava no meu carro na primeira vez que saímos só eu e ele já numa situação diferente, eu sabendo que estávamos ficando juntos. Fomos a um barzinho e depois tentamos comer um lanche numa lanchonete que já não existia mais. Tava cedo, acabamos ficando no carro mesmo. Baby don't you holler, darlin' don't you bawl and shout, I'm feeling good, you know I'm gonna work it on out, I'm feeling good, I'm feeling oh so fine, until tomorrow, but that's just some other time, I'm waiting for my man. Venus in Furs também me enlouquece.
Rolling Stones
Aí não tem uma música certa, não. Mas o dia em que fui com ele no cinema ver o filme Shine a Light foi bem bacana. Primeira vez que fomos ao cinema, foi bom andar de mãos dadas com ele no shopping. Coisa boba, mas isso foi muito bom. Depois do filme, que acabou cedo, fomos pra casa dele tomar um vinho. Caía uma garoa bem fria naquela noite. If you start me up, if you start me up I'll never stop.
30.1.10
O rádio fala comigo, eu tenho certeza.
ESPERANDO AVIÕES
Vander Lee
Meus olhos te viram triste
Olhando pro infinito
Tentando ouvir o som do próprio grito
E o louco que ainda me resta
Só quis te levar pra festa
Você me amou de um jeito tão aflito
Que eu queria poder te dizer sem palavras
Eu queria poder te cantar sem canções
Eu queria viver morrendo em sua teia
Seu sangue correndo em minha veia
Seu cheiro morando em meus pulmões
Cada dia que passo sem sua presença
Sou um presidiário cumprindo sentença
Sou um velho diário perdido na areia
Esperando que você me leia
Sou pista vazia esperando aviões
Sou o lamento no canto da sereia
Esperando o naufrágio das embarcações
13.1.10
Um pouco de sentimento hoje
Essa música já não é nova, faz um tempo que venho escutando nas rádios, mas eu adoro a letra dela. Tão simples, tão profunda, e tão eu. Gosto demais!
SENTIDOS
Christian Oyens/Zélia Duncan
Não quero seu sorriso
Quero sua boca
No meu rosto
Sorrindo pra mim
Não quero seus olhares
Quero seus cílios
Nos meus olhos
Piscando pra mim
Transfere pro meu corpo
Seus sentido
Pra eu sentir
A sua dor, o seus gemidos
E entender por que
Quero você!
Não quero seu suor
Quero seus poros
Na minha pele
Explodindo de calor
26.10.09
Mais confissões
Sabe quando a gente passa uma vida toda driblando algo que a gente já sabe, mas prefere fazer de conta que não sabe? Aí, quando nos damos conta, a verdade é tão verdadeira que assusta.
Acho que tô me sentindo um patinho feio hoje.
Numa vala qualquer do teu cemitério racional
Numa esquina qualquer da tua cidade natal
E é um Deus nos acuda
Ninguém te ajuda
De madrugada quando as fadas dizem: "!tchau!"
E o que se escondia no porão
Sai pelos poros pela transpiração
E lava tua alma
Lava de vulcão
Porão - Fernando Deluqui/Humberto Guessinger
19.10.09
Confissões Musicais
A educação já não me satisfaz, cada dia vejo ela se deteriorar, pouco a pouco, e me sinto de mãos atadas. Hoje ouvi uma história de que nota 3,5 arredonda-se pra 5. Desde o início do ano se quero trabalhar num ambiente limpo eu mesma devo varrer minha sala. Até o estacionamento do shopping aumentou, menos o meu salário. Mas ainda sou bem moça pra tanta tristeza...
CANTEIROS
(Fagner roubando um pedaço do poema Marcha, da Cecília Meireles)
Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento
Pode ser até manhã
Sendo claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria
Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração.
9.9.09
Top Five "Gosto mas tenho vergonha" - Categoria Música
Sabe aquela música que você fica off line no msn pra ouvir? Ou aquela que quando começa a tocar no rádio, você olha dos lados pra se certificar de que não tem ninguém te vendo cantar? Pois é, todo mundo gosta de alguma coisa que tem vergonha de gostar. Lá vai meu Top Five de músicas que difamam meu bom gosto.
NACIONAL
05 - Sidney Magal - Tenho (Tenho um mundo de sensações! Agora já é até cult)
04 - Blitz - A dois passos do paraíso (Puta breguisse aquela hora que o Evandro Mesquita fala como se fosse um radialista, mandando a música pra uma ouvinte, nossa, que vergonha)
03 - Lulu Santos - Várias, várias, várias (O cara é um arrogante, prepotente, só por isso não merecia que eu gastasse minha saliva cantando seus versos pobres e pops... mas eu não presto, gosto)
02 - RPM - Olhar 43 (Não dá pra resistir, Louras Geladas também é demais. Mas é brega pra caramba)
01 - Absynto - Ursinho Blau Blau (Pô, cresci ouvindo, não resisto)
INTERNACIONAL
05 - A-Ha - Crying in the rain ou Take on me (Anos 80 na veia)
04 - Bon Jovi - I'll be there for you (Hoje em dia já não tenho mais tanta vergonha, mas na adolescência tinha que ouvir escondida)
03 - Trio - Da da da (Que p*** era essa, afinal?)
02 - Linear - Sending all my love (Lembra dos cabelos desses caras?)
01 - Bangles - Eternal Flame (Essa é pra cantar gritando dentro do carro, com os vidros fechados, claro)
Isso tudo só me ocorreu porque a última, Eternal Flame, realmente tocou hoje no rádio, eu estava no carro, voltando pra casa. É tão brega que me dá vergonha do espelho. Mas cantei, feliz:
Close your eyes, give me your hand, darling,
Do you feel my heart beating?
Do you understand?
Do you feel the same?
Am I only dreaming?
Is this burning an eternal flame?
De arrepiar, heim?
14.7.09
IX Festival de Inverno de Paranapiacaba
Todo ano, desde 2000, acontece por aqui o Festival de Inverno de Paranapiacaba. Quem acompanha o blog sabe o quanto gosto desse lugar. A Vila pertence a Santo André, é longe pacas, mas é simplesmente mágica, e durante o festival a magia parece maior ainda. Mas os transtornos também.
A nona edição do Festival começou no final de semana passado, dias 11 e 12. No dia 11 estive por lá, debaixo de muita chuva e frio. O local onde seriam realizados os shows ficou impraticável, tendo em vista que chovia muito e vai saber por que a prefeitura não cobriu o espaço, como nos anos anteriores. Também por causa da chuva, pouca gente se aventurou até a Vila.
Assisti aos shows do Lô Borges e do Toquinho, no sábado. Lô, com voz doce, começou o show com Feira Moderna, e uma das últimas foi Um girassol da cor do seu cabelo. Na platéia, pessoas de todas as idades, todas mesmo: senhorinhas, crianças, adolescentes, e o bicho-grilos, de várias idades também. Toquinho foi o último show da noite, e o Lira Serrano, onde se realizaram os shows, parecia pequeno para o número de gente que tinha pra entrar. Não gosto muito de bossa nova, não sou culta o suficiente pra gostar do som do Toquinho, mas ele me fez muito feliz ao tocar A Casa e O Pato, ambos clássicos presentes no disco Arca de Noé, parceria com Vinícius de Moraes. Em seguida, O Caderno, outro clássico dos tempos de escola. Não precisava ouvir mais nada, não esperei terminar. Não sei se por causa frio, do cansaço, ou da sensação de que nada mais iria superar aquilo. Foi lindo.
Final de semana que vem tem mais. Fotos aqui.
22.6.09
Loki - Arnaldo Baptista
O filme é uma cinebiografia de Arnaldo Baptista, membro fundador d’Os Mutantes, banda que fez história no rock nacional no final dos anos 60 e início dos 70.

9.5.09
Trilha sonora da vida
Engraçado, mas sempre me vejo como o Kevin Arnold, do seriado Anos Incríveis... tudo o que ele vivia tinha a trilha certa, e era escolhida a dedo, sempre traduzia o que tava realmente acontecendo. A minha vida também tem trilha sonora.
Como pensei nisso, por que pensei nisso? Fiquei uma semana sem meu aparelho de som e quase surtei. Mas ele voltou, e hoje numa rádio tocou uma música que me fez lembrar um dia especial, alegre demais: a primeira vez que pude ir pra domingueira, cheguei lá e tava tocando This is not America, do Bowie. Até hoje escuto a música e me vem aquela sensação boa, como se pudesse de novo sentir pela primeira vez aquele cheiro de gelo seco misturado com o cheiro do Halls que o povo adorava naquela época. Aí automaticamente vem uma lista de outras músicas e dias marcantes.
My Sweet Lord, Beatles, descendo a Dr Arnaldo, guia na mão, tentando chegar na Pompéia, no festival. Lá, eu assistiria pela primeira vez Walter Franco. I Wanna Be Your Dog, Stooges, pela primeira vez no Madame Satã. Hells Bells, AC/DC, indo pro show dos próprios, primeiro show da minha vida, por muito tempo meu apelido foi esse. Dente de Ouro, Blues Etílicos, muita cerveja e sinuca no bar perto da escola. Perto do Fogo, Rita Lee, sempre alguém insistia em cantar essa música maldita quando me via. Roots Bloody Roots, Sepultura, um show que foi tão louco que nem acredito que foi de graça, fiquei dias sem voz e com dor no corpo. Apesar de Você, Chico Buarque, muita cerveja na primeira faculdade. Welcome to the Jungle, Guns n’ Roses, primeiros cigarros perto da escola onde estudei até a 7ª série. Lithium, Nirvana, minhas várias camisas de flanela xadrez pularam muito junto comigo quando essa música tocava nos sons na casa da galera. War Pigs, Black Sabbath, manhãs de domingos na porta da igreja enquanto a missa rolava lá dentro. NIB, Back Sabbath também, um reveillon e um esmalte preto que um amigo nunca mais devolveu. Pobre Paulista, Ira!, show de graça com os meninos, povo que nunca mais vi. Wasted Years, Iron Maiden, várias tardes de sábado na Galeria do Rock com uma amiga querida. Fruto Proibido, Rita Lee, uma tarde de volta da Galeria, com o disco na mão. Gallows Pole, Page e Plant, noites no Lollapalooza. L.A.Woman, Doors, misturada com álcool, faz estrago. Enjoy the Silence, Depeche Mode, na balada cria coragem.
Mas nem tudo é perversidade na minha vida. Anuciação, Alceu Valença, domingos de manhã, arrumando as coisas pra ir pro clube com meus pais. The Prophet’s Song, Queen, feriados passados conhecendo rock na casa dos avós. Êxtase, Guilherme Arantes, eu criança, ouvindo o rádio da minha mãe enquanto ela costurava o dia todo. Crocodile Rock, Elton John, casamento do meu tio, ele se arrumando pra ir pra igreja. Tiro ao Álvaro, Demônios da Garoa, vô Antonio dedilhando um violão. Go back, Titãs, uma prima mais velha tinha o disco. São Francisco, Ney Matogrosso na Arca de Noé, bicho-grilismo infantil patrocinado pelos pais. Astronauta, Replicantes, descobrindo o punk. Voltei pra perversidade...
24.3.09
Music Non Stop
Nem só de trabalho vive a professora. Aliás, tenho me sentido ultimamente como alguém que levanta, trabalha, malha e deita. Mas o post não é sobre isso.
Domingo fui ao show do Kraftwerk e do Radiohead. Devo dizer aqui que comprei o ingresso só por causa do Kraftwerk, o Radiohead pra mim vinha de sobremesa. Na última vez que eles estiveram no Brasil, num festival também, eu me desesperei, não pude ir por vários motivo$. Dessa vez comprei o ingresso lá no começo do ano, quando começou a vender mesmo. Devo dizer também que foi um dos show mais emocionantes que eu vi na vida. Não pelo show, pela performance, nada disso. Mas simplesmente pela emoção de ver os caras lá, tocando aquelas músicas que eu achei que nunca fosse ver ao vivo, músicas que eu nem me lembro mais como e quando comecei a ouvir. Ah sim, ouvi pela primeira vez na saudosa MTV dos anos 90, aquela que iniciava as atividades ao meio-dia. Sim, essa é uma das bandas que conheci e fui atrás sozinha, garimpei fitas aqui, ali, e com o advento da internet pude fazer a coleção inteira deles.
O show durou uma hora aproximadamente, só clássicos, e eu dancei como uma louca. Quando acabou ficou aquela sensação de vazio, cheguei a pensar que nem queria ver o Radiohead. Por sorte estava com meu irmão e cunhada, que não queriam ir embora.
O Radiohead? Bom, foi bom sim. Puta performance no palco, o disco novo, que eu não tinha escutado, é bom demais, com umas batidas super diferentes, nada deprê como Creep, por exemplo. Thom Yorke tem uma presença de palco incrível, dança freneticamente o tempo todo, louco demais. Pequeno, com aquela voz fina, estranha, ganha a cena, prende os olhos de todo mundo.
Ah é, teve Los Hermanos antes. Na boa, eu gosto bastante do trabalho deles, mas essa história de banda que acaba e volta é patifaria. mais patifaria ainda é voltar só pra fazer aquele show. Quem eles pensam que são, o Pink Floyd? Enfim, não achei nada bacana, parecia que o público tava com muito mais gás que a banda. O repertório foi bem médio também.
Sem dúvida, o show da noite, pra mim, foi do Kraftwerk mesmo. Só faltou uma coisa, quero dizer, uma pessoa, que atualmente faz muita falta, acho que acostumei com a boa companhia em todos os shows. Acostumei e acostumei mal. Que venha o Kiss!
15.12.08
Trem
Você vai demorar?
To tão cansado
Onde é meu lar?
Tô aqui
Onde não pertenço
Sem dinheiro para o telefone
O jeito é esperar até 9h20
Aqui sentado
Só na minha
O trem
Você vai demorar?
Tô tão cansado
Onde é meu lar?
Música do Arnaldo Baptista com a Patrulha do Espaço, foto minha, da Estação de Campo Grande em Santo André, tratada no photoshop. O crime às vezes compensa. Qual o crime? Invasão de propriedade particular. Qual a pena, heim?
30.9.08
Autoramas - A 300 Km/h
... só porque essa música é uma graça!
Correria, final de bimestre, não dá pra pensar nem postar nada aqui, então aí vai um som só pra tirar a poeira daqui.
17.8.08
Fim de noite
Chegou em casa, tomou um banho. Sentou pra ver e-mails, recados e afins. Queria escrever algo pra alguém. Ligou o rádio pra distrair. Notou que não precisava escrever, já estava escrito e cantado. Apropriou-se das palavras do Lulu.
Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido...
7.8.08
Beatles, Beatles, Beatles.
Ontem fui ver uma exposição sobre Beatles num shopping aqui de Santo André. Lá encontrei um grande amigo, e conversando com ele, tive a idéia desse post. Pra provar que Beatles faz parte da nossa vida:
Beatles pra tudo:
- You know my name (Lookup the number) - Pra diálogos sem pé nem cabeça.
- I am the walrus - Pra não dizer nada
- Across the universe - pra curtir um mantra.
- The ballad of John and Yoko - Pra lembrar algum casal de amigos, ou ex casal, ou só pra falar mal da Yoko.
- Oh Darling! - Pra cantar berrando com os amigos, ou no carro, sozinha.
- If I feel - Pra dizer exatamente o que sinto. E pra xingar a Rita Lee, que fez uma versão que eu detestei dessa música.
- Golden Slumbers - Pra esperar o fim da suite, com a frase "And in the end the love you take is equal to the love you make".
- Sun King - pra curtir um momento bicho-grilo na praia, num dia bem quente.
- The fool on the hill - Pra quando me sinto uma idiota, e isso não é raro.
- I want you (She's so heavy) - Sexo. Só consigo pensar nisso ouvindo essa música.
- Something - Pra invejar a Pattie Boyd, por ter merecido essa música, mesmo ela tendo sido uma pilantra com o George depois. Tadinho.
- Good morning, good morning - Pra acordar.
- I'm only sleeping - Pra não acordar.
- Getting better - pra ouvir quando estou feliz.
- She's leaving home - Pra lembrar as vezes que, na adolescência, quis sair de casa. E pra ouvir a voz do Paul, que está linda nessa música.
- While my guitar gently weeps - pra pensar 'como alguém cria uma melodia dessas?'
- Don't pass me by - Pra gostar de algo que o Ringo fez na vida.
- Mr Moonlight - Pras noites de luar.
- In my life - Pra chorar de saudade dos amigos, do que já foi.
- Nowhere Man - pra pensar na fantasia de nowhere man pra próxima festa à fatasia.
A lista não termina aí. Coloquei só as que eu mais gosto e consegui pensar agora. Mas acho que ela vai longe. Aceito sugestões!
30.7.08
Música para meus ouvidos
Essa é uma das músicas que mais gosto, e olha que não é nada fácil escolher esse tipo de coisa. São 28 anos com a orelha colada nas caixas de som. Mas tem músicas que por algum motivo te tocam mais fundo. Não é a letra. Essa eu comecei a traduzir várias vezes, nunca terminei. Mas hoje encontrei finalmente a bendita tradução. Horas antes, indo trabalhar, ela tocou no rádio. 22 minutos. Sim, cheguei no estacionamento da escola e esperei ela terminar. É uma daquelas músicas que fazem me sentir melhor. Depois faço uma lista de músicas que fazem eu me sentir bem. Mas certamente, uma delas é essa, Supper's Ready, do Genesis.
A tradução? Tá aqui.
18.7.08
13.7.08
Festival de Inverno - Primeiro Dia
Depois de muito 'vou, não vou, vou, não vou', resolvi chutar o balde e ir. Afinal, é a oitava edição do Festival de Inverno de Paranapiacaba, e eu nunca tinha ido, por motivos que não cabem no momento. Não foram graaaaaandes atrações, mas teve show da Mariana Aydar e do Seu Jorge. Assistimos os dois e apesar de parecer samba demais pros meus ouvidos, gostei dos dois, mais do Seu
Jorge, que tem um carisma incrível no palco, além de um grave na voz que eu acho demais, sempre.
Pra quem tem acesso fácil às linhas da CPTM, é um ótimo programa para o próximo final de semana. Vem Lenine no sábado e Zeca Baleiro no domingo. Imperdível.
Problema é a infra-estrutura do festival... pra encontrar uma cerveja gelada na vila não é fácil. Refrigerante também não. Transporte, o mais rápido é de 30 em 30 minutos. Mas mesmo com os problemas, sábado que vem estou lá de novo! Além de bons shows, tem o clima da vila inglesa, um charme só!
25.6.08
Reta final
Hoje na escola, no último balanço da greve, ouvi declarações de amargar... Sexta-feira estarei lá na assembléia de novo. Abaixo, algumas reportagens recentes sobre o movimento:
Na Folha
N'O Globo

