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22.11.10

O show da minha vida

Eu tenho 30 anos, sou de 1980. Quando nasci Beatles já não existia mais e Lennon seria assassinado no mesmo ano, 9 meses depois do meu nascimento. 21 anos depois foi a vez de George Harrison partir. Em 1993, quando Paul McCartney esteve no Brasil eu tinha 13 anos e ainda ouvia Beatles brincando de bonecas, acreditem. Passei todos esses anos acreditando que esse era um show que eu teria que me conformar de morrer sem ver, era um fato consumado, sem dúvida.

Mas um dia acordei com a notícia de que estavam confirmadas as datas da apresentação da nova turnê do Paul, e logo sairam as datas de venda de ingressos. Foi tudo tão rápido que foi difícil acreditar no momento em que apareceu a mensagem na tela do computador dizendo que a compra havia sido finalizada. Inacreditavel também quando chegou o ingresso e a rapidez com que chegou o tão esperado dia. Tudo o que eu acreditava ser impossível, aconteceu e muito rápido.

A ficha caiu durante as duas horas de fila na frente do Estádio do Morumbi. Milhares de pessoas uniformizadas esperando anos e anos por aquele dia. A emoção aumentou quando entrei no Estádio e, embora não tenha sido tão rápido assim, parece que em um piscar de olhos as luzes se apagaram e o homem entrou no palco. Venus and Mars, Rock Show e a minha primeira explosão em Jet. A emoção apertou mais em Drive My Car, coração batendo descompassado.

My Love, dedicada a todos os casais, me fez sentir mais falta do namorado companheiro de tantos shows. Blackbird é covardia, os olhos lacrimejam assim como em Something, na minha opinião, a mais bela música de amor de todos os tempos. Falta do namorado de novo. Animadíssimas, Dance Tonight eMrs. Vandebilt, trabalho solo que nem curto tanto assim, boa mesmo e Band on the Rum e Let'em In, que eu nem esperava ouvir. Ob-La-Di, Ob-La-Da e Back in the U.S.S.R, momentos de alegria, gritaria, saltitante. I've Got a Feeling e Paperback Writer preparam o terreno pra lindíssima e emocionante A Day in the Life com Give Peace a Chance. Aí as lágrimas que só molhavam os olhos e se continham molharam meu rosto, mesmo com um sorriso imenso estampado. Let it Be por pouco não aumenta as lágrimas secadas após o espetáculo dos balões brancos que cobriam o público em Give Peace a Chance. Live and Let Die, fogos, mais emoção e Hey Jude, lindíssima com o povo cobrindo a voz do Paul, que deixa o palco aos nossos gritos de naaaa, na na na na na naaa, Hey Jude...

Antes de pararmos totalmente de cantar, Paul volta e toca Day Tripper, Lady Madonna e Get Back, cantada aos gritos por todos como se não precisássemos das nossas cordas vocais nunca mais. Mais uma saída e antes que desse tempo de tomar um copo de água ele volta de novo pro derradeiro bis da noite. Ao violão, sozinho no palco, Yesterday. As cordas vocais foram maltratadas outra vez em Helter Skelter e os pés já cansados foram judiados mais um pouco também, impossível não pular. O fim foi anunciado em Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band, 'we´re sorry but it´s time to go'. Ao final, a música com a frase mais linda que já ouvi, a maior lição de todas, The End: 'and in the end, the love you take is equal to the love you make'.A lágrimas molharam o rosto que agora eu já notava que estava dolorido e talvez com mais rugas por conta do sorriso que não me abandonou por quase 3 horas. Agora as lágrimas eram quase de tristeza, por tudo aquilo que tinha acabado de ver, inacreditavelmente. Nos olhávamos, eu e minha cunhada, companheira dessa aventura, e falávamos "eu não acredito no que vi". Eu ainda não acredito no que vi.
 
Poucos dias da minha vida eu gostaria de nunca esquecer. Esse com certeza é um deles, certamente um dos mais felizes até aqui.

20.11.10

Skank e as bandas nacionais

Eu devo ter nascido ouvindo rádio, então acho que tenho alguma autoridade pra escrever minhas opiniões sobre música. Hoje fui ao show do Skank no Citibank Hall, em São Paulo, e o que vi me fez pensar muito em tudo o que eu ouvi e ainda ouço.

Todas as bandas de pop-rock nacional que eu passei minha vida até aqui ouvindo praticamente acabaram. Ou então, o fim teria sido o que e melhor poderia ter acontecido. Exemplos claros são o Titãs (Quem é o Titãs hoje? O Branco Mello?) ou o Capital Inicial. Outras bandas chegaram num ponto bacana e pararam, por exemplo, Paralamas do Sucesso. Não me queixo do Paralamas, veja bem, mas pra falar a verdade, nem sei se eles não decaíram depois dos discos que eu mais gosto, do final da década de 90. Outras ainda já nem eram grande coisa, e continuam sendo quase nada, Ultraje a Rigor, Inocentes, Plebe Rude, etc. O fato é que a maioria delas, de uma forma ou outra, não sobreviveram ao ano 2000, perderam algo ou tudo.

Mas a história não é igual pro Skank. Com uma aparição um pouco mais tardia do que as bandas que já citei, eu lembro até hoje do primeiro clip que rolava na MTV, lá pra 1993. Não que eu gostasse. Mas o fato é que os caras eram estranhos, tocavam um som mais estranho ainda e não me agradava. Aí lançaram outro clip. E outro, e outro. A cada disco era inevitável notar que os caras cresciam, não necessariamente que me agradasse. Relutei contra o pop do Skank até o dia em que lançaram o Cosmotron, em 2003. Tinha que admitir, a banda aprendeu a fazer o que eu queria ouvir. E vieram as parcerias com o pessoal do Clube da Esquina, letras maravilhosas, melodias simples e sensíveis. Sim, uma banda de pop-rock, simplesmente, mais pop do que rock, mas é boa e só melhorou ao longo dos anos.

Hoje no show que durou quase duas horas vi minha adolescencia passar na minha frente. Músicas que por puro preconceito eu negava que ouvia, ou que gostava, afinal, eu era do rock. Foda-se. O pop tá aí pra ser ouvido. Músicas que tocaram tanto que não me permitia uma avaliação na época hoje me soam muito bacanas, como Pacato Cidadão, Tão Seu, Saideira, Te Ver, Jack Tequila. Outras, lindas, me emocionam, como Balada do Amor Inabalável, Resposta, Sutilmente, Ainda Gosto Dela. Outras animadíssimas, dignas daquelas festas loucas de final de ano, Três Lados, Vou Deixar, Garota Nacional, É Uma Partida de Futebol.

Sim, Skank cresceu. E hoje eu também cresci e admito, gosto sim do Skank. Se tiver oportunidade de ver de novo, não pensarei duas vezes. Já pra ver outras bandas nacionais, depende muito. Mesmo as que eu sempre, desde o início, gostei.

18.5.10

Virada Cultural 2010

Meu terceiro ano na Virada. Algo me dizia pra não ir. Não vai, não vai, você precisa se resguardar, precisa descansar pro que vem por aí (próximo post eu explico o que vem por aí). Mas eu fui. Já desde o início, quando vi a programação não fiquei lá muito empolgada. Esperava como a maior atração o Rick Wakeman, mas nada, ele não veio. Sobrou pouca coisa interessante pra ver, mas mesmo assim, resolvi ir.

Nesse ano a Virada sofreu algumas alterações, como por exemplo, a maior distância entre palcos. E como estavam longe! As melhores e maiores atrações estavam distribuídas em três ou quatro palcos no centro, mas em pontos tão distantes, que era impossível assistir a dois shows em menos de 1 hora. Pra quem quer ver de tudo um pouco, a peregrinação foi grande. Aliás, sugestão pra organização da Virada: criem um roteiro de peregrinação pro ano que vem, algo como um caminho da fé em nome da arte, com distribuição de fitinhas e tudo mais. É sério, quem quer ver o máximo que pode, cansa, machuca os pés, passa sede e fome. É uma peregrinação, um sacrifício mesmo. Seja lá quem for, o santo protetor das artes deveria abençoar a gente!

Uma ótima surpresa foi no palco da Vieira de Carvalho, no Largo do Arouche. Lá tocou o Desengonçalves (André Abujamra e Guilhermoso). Os caras tocam músicas do Nelson Gonçalves, que já são clássicas só pelas letras, mas todas com arranjos de rock, algumas punk rock. Sensacional! Um show que eu quis ver e não me agradou foi o da Patrulha do Espaço. Já tinha visto várias vezes, mas nunca com o Percy no vocal, e o próprio não fez a lição de casa. Nitidamente sem ensaio, foi um show bem sem graça, muito aquém do que costuma ser um show da Patrulha. Uma pena. Ah, olha só, como esquecer de falar da muvuca? Minha gente, o Largo do Arouche estava simplesmente inpraticável lá pela hora do show do Sidney Magal. Não só pela atração, mas lá mistura-se o público do show com o pessoal das baladas GLS, vira um vuco vuco só. Acredite, tinha até um carro divulgando um candidato a sei lá o que, de um partido intitulado de Partido do 3º Sexo. É.

Tanta coisa longe demais... Não vi Zélia Duncan, Arrigo Barnabé, Palavra Cantada, Arnaldo Antunes. Na verdade, acho que só faltou isso do que me interessava, e ainda assim, não valia a correria. O Arnaldo eu acabei vendo quando passei pelo Titãs. Gente, é sério. Como é que o Titãs hoje em dia ainda atrai tanta gente? A pista vip virou o inferno na Terra durante o show deles. Poupem-me.

Louco demais também foi a Suspensão Corporal na Galeria Prestes Maia. Aquilo é sensacional, e digam o que quiserem, vendo aqueles ganchos na carne da garota que estava sendo suspensa, até senti um pouco de inveja. Aquilo deve ser uma adrenalina única na vida. É sensacional a expressão de dor misturada com uma satisfação louca, uma euforia mesmo. Incrível.

O que mais? Importante dizer que a Virada tem duas caras, só quem vai a noite e volta durante o dia é que entende isso. A noite as ruas de SP são tomadas por bêbados, loucos, pessoas transando, vomitando, caídos, adolescentes em sua maioria. Mas no domingo tudo muda... domingo lá pela hora do almoço é possível encontrar famílias passeando onde outrora parecia um campo de batalha. Engraçado isso, parece outro evento mesmo. Só não muda a sujeira e o cheiro de urina, que é presente no centro inteiro.

Se eu gostei? Gosto sempre, não presto. A gente sofre, morre de tanto andar, mas eu sempre gosto e sempre falo que no ano que vem, talvez não valha a pena ir. Ano que vem a história se repete, já ouvi falar que Rick Wakeman vem em 2011.

Fotos aqui:
http://www.flickr.com/photos/belgasparotto

9.9.09

Top Five "Gosto mas tenho vergonha" - Categoria Música

Sabe aquela música que você fica off line no msn pra ouvir? Ou aquela que quando começa a tocar no rádio, você olha dos lados pra se certificar de que não tem ninguém te vendo cantar? Pois é, todo mundo gosta de alguma coisa que tem vergonha de gostar. Lá vai meu Top Five de músicas que difamam meu bom gosto.

NACIONAL
05 - Sidney Magal - Tenho (Tenho um mundo de sensações! Agora já é até cult)
04 - Blitz - A dois passos do paraíso (Puta breguisse aquela hora que o Evandro Mesquita fala como se fosse um radialista, mandando a música pra uma ouvinte, nossa, que vergonha)
03 - Lulu Santos - Várias, várias, várias (O cara é um arrogante, prepotente, só por isso não merecia que eu gastasse minha saliva cantando seus versos pobres e pops... mas eu não presto, gosto)
02 - RPM - Olhar 43 (Não dá pra resistir, Louras Geladas também é demais. Mas é brega pra caramba)
01 - Absynto - Ursinho Blau Blau (Pô, cresci ouvindo, não resisto)

INTERNACIONAL
05 - A-Ha - Crying in the rain ou Take on me (Anos 80 na veia)
04 - Bon Jovi - I'll be there for you (Hoje em dia já não tenho mais tanta vergonha, mas na adolescência tinha que ouvir escondida)
03 - Trio - Da da da (Que p*** era essa, afinal?)
02 - Linear - Sending all my love (Lembra dos cabelos desses caras?)
01 - Bangles - Eternal Flame (Essa é pra cantar gritando dentro do carro, com os vidros fechados, claro)

Isso tudo só me ocorreu porque a última, Eternal Flame, realmente tocou hoje no rádio, eu estava no carro, voltando pra casa. É tão brega que me dá vergonha do espelho. Mas cantei, feliz:

Close your eyes, give me your hand, darling,
Do you feel my heart beating?
Do you understand?
Do you feel the same?
Am I only dreaming?
Is this burning an eternal flame?

De arrepiar, heim?

1.9.09

Ibira e sua fauna

Domingo eu e o jornalista (faz tempo que não o chamo assim, rss) fomo ao Parque do Ibirapuera. Eu sei, eu sei, Ibira é muito clichê, todo mundo vai lá, todo dia, super cartão-postal, tá, eu sei. Mas adoro ir lá pra não fazer nada, só andar um pouco, sair daqui. Mas bonito mesmo é analisar a fauna que ali se encontra.

Não tô falando dos vários bichos estranhos que circulam por ali, como os que nadam, os que voam, os que correm da gente, nem dos que correm até a gente na ponta de uma coleira. Tô falando daquela fauna que circula por lá, andando mesmo. Essa fauna divide-se entre os emos, os homos e os pasmos.

Entre as duas primeiras classes os atos mais praticados são em geral correr, borboletear, gritar, agarrar, beijar, e alisar o cabelo já meio ensebado pra um único lado, todo o cabelo. Vestem-se e agem de tal forma que impossibilita a definição do sexo em grande parte dos casos.

O cabelo merece um tópico especial. Em geral não são alinhados, premia-se aqueles que conseguem achar naquela cabeleira dois únicos fios do mesmo tamanho. Difícil também é achar um que não de nojo de chegar perto, parece que cheira mal mesmo. Embora sejam totalmente desalinhados em uma cabeça, são idênticos quando analisados em várias cabeças, todas próximas. Lembra aqueles 'cabelinhos' que tinha no playmobil, que só mudava a cor: amarelo, marrom, preto, branco. Ah não, branco não tem, mas tem verde, azul, rosa, etc. É uma fauna bem diversificada e colorida.

As roupas também são bem estranhas às vezes. Nem sempre, mas é muito comum vê-los com roupas de oncinha, zebrinha, tudo muito justo, provavelmente pra aumentar a cara de sofrimento. Beijam-se, agarram-se e fotografam-se desesperadamente.

Os pasmos, bem, os pasmos apenas observam o que não dá pra não observar e escutam comentários que os fazem pensar na maravilha que seria se a audição fosse voluntária, como a visão. Mas os pasmos emocionam-se mesmo quando, por acidente, acabam deixando o carro num lado do parque habitado apenas por um dos grupos, os homos. Mas os pasmos também brincam, correm, beijam, conversam, riem, tudo em menor grau do que os outros, com bem menos alarde. Mas deve ter um monte de pasmos por lá, loucos pra migrarem pros outros grupos.

Eu? Apenas observo, pasma.

14.7.09

IX Festival de Inverno de Paranapiacaba

Todo ano, desde 2000, acontece por aqui o Festival de Inverno de Paranapiacaba. Quem acompanha o blog sabe o quanto gosto desse lugar. A Vila pertence a Santo André, é longe pacas, mas é simplesmente mágica, e durante o festival a magia parece maior ainda. Mas os transtornos também.

A nona edição do Festival começou no final de semana passado, dias 11 e 12. No dia 11 estive por lá, debaixo de muita chuva e frio. O local onde seriam realizados os shows ficou impraticável, tendo em vista que chovia muito e vai saber por que a prefeitura não cobriu o espaço, como nos anos anteriores. Também por causa da chuva, pouca gente se aventurou até a Vila.

Assisti aos shows do Lô Borges e do Toquinho, no sábado. Lô, com voz doce, começou o show com Feira Moderna, e uma das últimas foi Um girassol da cor do seu cabelo. Na platéia, pessoas de todas as idades, todas mesmo: senhorinhas, crianças, adolescentes, e o bicho-grilos, de várias idades também. Toquinho foi o último show da noite, e o Lira Serrano, onde se realizaram os shows, parecia pequeno para o número de gente que tinha pra entrar. Não gosto muito de bossa nova, não sou culta o suficiente pra gostar do som do Toquinho, mas ele me fez muito feliz ao tocar A Casa e O Pato, ambos clássicos presentes no disco Arca de Noé, parceria com Vinícius de Moraes. Em seguida, O Caderno, outro clássico dos tempos de escola. Não precisava ouvir mais nada, não esperei terminar. Não sei se por causa frio, do cansaço, ou da sensação de que nada mais iria superar aquilo. Foi lindo.

Final de semana que vem tem mais. Fotos aqui.

22.6.09

Loki - Arnaldo Baptista

O filme é uma cinebiografia de Arnaldo Baptista, membro fundador d’Os Mutantes, banda que fez história no rock nacional no final dos anos 60 e início dos 70.

Para falar do filme é preciso começar do final. Em 25 de janeiro de 2007, 80 mil pessoas presenciaram no Parque da Independência, em São Paulo, mais do que a volta da lendária banda Os Mutantes. A maior atração para grande parte daquelas pessoas era o senhor que se encontrava ao teclado, Arnaldo Dias Baptista. Era o sorriso, a voz, era ele que os verdadeiros fãs queriam. Aquele show não foi o fim da história do Arnaldo, mas provavelmente tenha sido o fim de uma série de sofrimentos, como uma ferida que enfim cicatrizava-se. Ele estava ali.

Arnaldo, juntamente com o irmão Sérgio Dias Baptista e Rita Lee, formou no final dos anos 60 a banda mais emblemática do rock nacional, Os Mutantes. Em pouco mais de uma década conheceu a fama, foi taxado de gênio pelos críticos, adorado pelos fãs e decaiu, chegando até ao esquecimento por parte das pessoas mais próximas.

Seria redundante comentar todos os feitos de Arnaldo para a música brasileira, mas trocando em miúdos, integrou nada menos do que a banda que melhor representou o espírito tropicalista, a mistura de conceitos vindos da música estrangeira com toda a brasilidade possível.

Isso tudo durante o período do regime militar, mas com muito humor, muita graça, poesia, crítica e, claro, drogas. Drogas que provavelmente o tenham afetado de forma diferente dos seus parceiros, o que desencadeou a série de conflitos vividos por ele a partir da sua saída da banda, entre 1973 e 1974.O filme conta toda a trajetória de Arnaldo, desde a infância até os dias atuais, passando por toda a fase conturbada da sua vida, suas internações em hospitais psiquiátricos, seus problemas com as drogas, o amor obsessivo pela Rita Lee, sua tentativa de suicídio, sua reabilitação e, finalmente, sua nova vida.
Toda a história é costurada por depoimentos do próprio Arnaldo e de pessoas próximas, como seu irmão Sérgio, Gilberto Gil, Rogério Duprat, Liminha, Nelson Motta, Lobão, e até de músicos do porte de Sean Lennon, Kurt Cobain e Devendra Banhart. Ao longo do filme Arnaldo pinta um quadro onde expressa através da pintura os seus sentimentos e experiências de vida, como se passasse por uma catarse, começando pela própria figura e acrescentando tudo o que lhe aconteceu ao longo dos anos.
O filme tem um ponto um pouco cansativo que é a importância que se dá a Rita Lee, que nem sequer quis dar entrevistas para o documentário. Claro que não deve se descartar sua importância na história, mas talvez essa importância tenha sido super valorizada.

Entre os momentos mais emocionantes está o depoimento de Arnaldo sobre o dia em que resolveu colocar fim à sua história, em mais uma internação. Com plena consciência o músico decidiu atirar-se da janela, numa noite de réveillon, segundo ele em homenagem à primeira pessoa que o havia internado. Meias palavras bastam. Outro momento muito emocionante é o que se segue a esse fato, quando Arnaldo conta que aquela internação e a tentativa de suicídio representaram algo bom para ele. Ali ele foi podado como uma árvore que precisava perder algumas folhas secas. Naquele momento ele conheceu sua atual mulher, Lucinha Barbosa, com quem mora até os dias atuais, na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Lucinha pode ser considerada uma pessoa chave na história de Arnaldo. Surgiu quando ele mais precisou, no dia em que tentou colocar fim na própria vida, trazendo o que ele mais precisava: amor. Arnaldo começou a pintar, voltou a tocar instrumentos e reabilitou-se durante um grande período de reclusão. Volta à mídia em 2004, com um álbum produzido por John Ulhoa, do Pato Fu, surpreendendo a todos.

Em 2006 reúne-se com Sérgio e retomam Os Mutantes, agora com Zélia Duncan nos vocais. Rita se negou, como sempre. Chegamos novamente ao final do filme e como Tom Zé descreve, aquele show no Parque da Independência foi o encerramento de um ciclo, como se Arnaldo estivesse ali mostrando que conseguiu sim dar a volta por cima.Não é o fim da história de Arnaldo, mas provavelmente é o fim de uma etapa. Embora o filme tenha um clima melancólico - triste até - é a história de um vencedor que desceu aos infernos e voltou, renascido das próprias cinzas. Ainda que sejam retratados momentos tristes da vida de Arnaldo, ao longo do documentário o artista é mostrado como alguém feliz, contrastando com sua própria história.

Vale lembrar que sua obra não está disponível em nenhum catálogo. Arnaldo tem livros prontos para serem editados e muitos quadros a espera de uma exposição. Por tudo isso fica claro que a história de Arnaldo não terminou. Saí do cinema com a sensação de quem ganhou um herói, um mito, e ele ainda está vivo, por aí. Arnaldo já é um mito.

Texto publicado no Território da Música

Revisado pelo Edu :-*

24.3.09

Music Non Stop

Nem só de trabalho vive a professora. Aliás, tenho me sentido ultimamente como alguém que levanta, trabalha, malha e deita. Mas o post não é sobre isso.

Domingo fui ao show do Kraftwerk e do Radiohead. Devo dizer aqui que comprei o ingresso só por causa do Kraftwerk, o Radiohead pra mim vinha de sobremesa. Na última vez que eles estiveram no Brasil, num festival também, eu me desesperei, não pude ir por vários motivo$. Dessa vez comprei o ingresso lá no começo do ano, quando começou a vender mesmo. Devo dizer também que foi um dos show mais emocionantes que eu vi na vida. Não pelo show, pela performance, nada disso. Mas simplesmente pela emoção de ver os caras lá, tocando aquelas músicas que eu achei que nunca fosse ver ao vivo, músicas que eu nem me lembro mais como e quando comecei a ouvir. Ah sim, ouvi pela primeira vez na saudosa MTV dos anos 90, aquela que iniciava as atividades ao meio-dia. Sim, essa é uma das bandas que conheci e fui atrás sozinha, garimpei fitas aqui, ali, e com o advento da internet pude fazer a coleção inteira deles.

O show durou uma hora aproximadamente, só clássicos, e eu dancei como uma louca. Quando acabou ficou aquela sensação de vazio, cheguei a pensar que nem queria ver o Radiohead. Por sorte estava com meu irmão e cunhada, que não queriam ir embora.

O Radiohead? Bom, foi bom sim. Puta performance no palco, o disco novo, que eu não tinha escutado, é bom demais, com umas batidas super diferentes, nada deprê como Creep, por exemplo. Thom Yorke tem uma presença de palco incrível, dança freneticamente o tempo todo, louco demais. Pequeno, com aquela voz fina, estranha, ganha a cena, prende os olhos de todo mundo.

Ah é, teve Los Hermanos antes. Na boa, eu gosto bastante do trabalho deles, mas essa história de banda que acaba e volta é patifaria. mais patifaria ainda é voltar só pra fazer aquele show. Quem eles pensam que são, o Pink Floyd? Enfim, não achei nada bacana, parecia que o público tava com muito mais gás que a banda. O repertório foi bem médio também.

Sem dúvida, o show da noite, pra mim, foi do Kraftwerk mesmo. Só faltou uma coisa, quero dizer, uma pessoa, que atualmente faz muita falta, acho que acostumei com a boa companhia em todos os shows. Acostumei e acostumei mal. Que venha o Kiss!

3.12.08

Bel e as idéias polêmicas

Capítulo de hoje: elitização da arte

De uns tempos pra cá venho freqüentando mais shows do que o de costume. Um bom show musical é divertimento garantido pra mim, gosto demais. Se rola algum de graça então, aí é a maior festa não é? Nem sempre. Ultimamente tenho achado que não é bom negócio show de graça. Vou explicar o motivo com um exemplo.

Na virada cultural desse ano, em São Paulo, teve Mutantes. Eu tenho todos os cds deles, amo tudo deles. Sabe o que eu consegui ver? Um monte de bêbados atrás de drogas, mulheres, mais álcool, etc, e que nem sabiam quem tava tocando láááá na frente.

Show da Ceumar em Santo André, no SESI. Claro, um evento bem menor do que a virada cultural, o show foi dentro de um teatro minúsculo. ainda assim tinha gente lá que não sabia nem quem tava cantando. E além disso, também não sabia como se comportar numa platéia, ainda mais num lugar tão pequeno. Algumas pessoas simplesmente não paravam de falar enquanto ela cantava.

Será que se cobrassem R$5 essas pessoas teriam ido? Claro que não concordo com ingressos custando R$270, como foi o do Queen, mas o fato é que lá não tinha ninguém que nem soubesse quem tava cantando. Tá tá, então não cobre, mas só entra quem souber ao menos o nome de três músicas, pronto. Ou o nome de um disco. Ou ainda de um integrante da banda.

É, ando revoltada com a falta de noção desse povo... e domingo tem Cordel do Fogo Encantado aqui pertinho, em Paranapiacaba. Curto demais, e espero que ninguém que não goste vá lá atrapalhar o domingão de show. Humf!

P.S.: Esse texto tava escrito fazia um tempo... tempo que tem me faltado. Preciso de férias.

4.9.08

Manual de sobrevivência na casa dos pais aos trinta

ou Como retomar a adolescência perdida

Não que eu já tenha 30 anos, mas tô quase lá, e acho que não muda muita coisa entre os 28 e 30 anos. Aquele papinho de sempre com certeza é o mesmo nessa faixa etária pra todas as meninas... Não casou? Não tem filhos? Mora com os pais... ainda???? É, a vida não é fácil para nós. Por isso estamos desenvolvendo o novissimo manual de sobrevivência na casa dos pais aos trinta! Segue uma prévia do manual.

- Finja que não é com você. Quando, no seu quarto, escutar alguém na cozinha dizendo 'ela vai sair hoje?' ou 'ela vai sair de novo?', ou ainda 'mas essa hora?', finja que não é com você. Faça de conta que não escutou e saia com a maior cara de paisagem. Com o tempo isso se torna automático.

- Nunca diga a hora real que você pretende voltar, principalmente se for depois das 5h. Diga que voltará às 3h, estarão dormindo mesmo e assim você evita que reclamem já antes de você sair dizendo 'É muito tarde, tente voltar antes'. Se a padaria já estiver aberta, leve o pãozinho, vão adorar! Se não for voltar, avise. Evita o celular tocando antes das 8h.

- Evite o contato entre as amigas e o pessoal de casa. Sempre vão achar que a amiga é uma péssima influência, afinal, é por causa dela que você está passando a noite fora.

- Nunca conte que conheceu alguém interessante na noite anterior. Nunca! Acredite, seus pais não precisam saber, assim você evita comentários desagradáveis do tipo 'vamos ver se com esse dá certo, né?'.

- Sempre, sempre pense na possibilidade de sair de casa, uma hora você pode precisar mesmo. Enquanto isso não acontece, pague uma conta da casa, é uma forma de dizer que você não mora às custas dos pais.

- Mulheres falam demais, mas evite dar detalhes do que tem feito aos finais de semana. Onde foi, com quem, o que fez, geralmente não é do gosto da sua mãe. Evite transtornos para todos.

Como disse, é só uma prévia do manual. Quem tiver mais dicas, posta aí nos comentários, por favor. Lembrando que o manual não se aplica a todas. Existem pais tolerantes que entendem a vida de uma moça aos 30. Mas existem os que acreditam que voltamos a ter 15 anos, é o caso dos meus.

22.7.08

Festival de Inverno - Segundo Final de Semana

O bom da vida é esse ócio!

Ócio? Ócio nada. Pra quem queria ir a Paranapiacaba assistir os bons shows que rolaram nesse final de semana, a vida não foi fácil não. Mas nós estávamos lá. Mesmo com a facilidade imensa de não precisar enfrentar filas pra retirar ingressos e entrar em shows, não foi fácil a sobrevivência na Vila, principalmente no domingo. É fato: a Vila não comporta mais o festival. Pra quem não conhece, trata-se de uma Vila no meio do nada, bem afastada das cidades vizinhas. Pertence a Santo André, mas pra chegar até ela, temos que atravessar as cidades de Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, pegar uma estrada nada amistosa. Esse deve ter sido o motivo de tanta gente preferir os meios de transporte públicos. Mas olha, esperar três horas numa fila pra pegar um ônibus desanima qualquer um.

A infra estrutura da própria Vila também não comporta mais o público atraído pelo festival. Durante os dias, era comum a falta de energia em vários estabelecimentos como bares e restaurantes. No domingo essas quedas de energia foram mais freqüentes, até o derradeiro blackout no final do dia, espantando os milhares de visitantes de uma vez só. Caos.

Os shows? Ah, ótimos! No sábado teve Lenine, que esbanja simpatia no palco. Pra ser bem sincera, sou fã de coletânea do Lenine, não conheço a fundo o repertório não, mas tudo o que eu queria, escute. Alzira e a Torre, Dois Olhos Negros, Paciêcia, linda, linda. Sábado teria também Marina De La Riva, mas foi cancelado.

Domingo foi o grande dia. O maior show foi de Zeca Baleiro, letras e melodias maravilhosas. Zeca fala pouco entre as músicas, e a platéia canta e dança do começo a fim. E no fim, com direito ainda a um trecho de Walter Franco. Zeca foi o maior show, mas, não desmerecendo um ótimo show, não foi o melhor.

O melhor show foi do Mawaca. Pra quem conhece, dispensa comentários. Pra quem não conhece, só entrando no site delas pra ver do que se trata. É um grupo com sete vocalistas e alguns músicos, que cantam músicas folclóricas, etnicas, pesquisadas em cada região do planeta. Um show lindo, musicalmente e estéticamente falando. Na minha opinião, esse sim foi o melhor show do festival.

Semana que vem ainda tem, mas não vou. Tem Zé Ramalho em Ribeirão Pires, é pra lá que vou. Portanto, o festival em algumas palavras chave: ótimos shows, infra estrutura ruim, péssimo sistema de transporte, copos cheirando a mofo. Sim, no bar que adotamos como o melhor, devido à sua generosa porção de calabresa acebolada, os copos de vidro tinham um cheiro de armário de madeira embolorado. Mesmo assim voltamos lá. E acho que valeu a pena. Mais fotos de tudo, no multiply.

Ah, claro. Ninguém acertou a resposta do post anterior. O desfecho é a alternativa D. Pois é, dizem que não podemos negar esses chamados, né... Sei não. As pessoas dizem que lá pras bandas de onde isso aconteceu tem um guarda noturno, que naquela hora deveria estar saindo do posto. Pode ser que ele tenha parte nisso tudo.

16.7.08

Confessionário

Episódio de hoje: Eu e a Lei Seca

Confesso: não concordo com a lei seca. Mas confesso também que acho que algo deveria ser feito mesmo. Confesso ainda que não concordo exatamente porque ela me atinge e muda minha forma de pensar o final de semana.

A verdade é que admito que não sou assim tão responsável quanto deveria no volante. Claro que isso não é algo que acontecia sempre, todos os finais de semana, mas já peguei o meu carro levemente bêbada sim. E já teve um dia em que cheguei em casa pensando 'que merda eu poderia ter causado?'. Quase todos que tomam umas por aí dizem que estão bem pra dirigir até em casa. Só quem já dirigiu na noite sabe o tamanho dessa mentira. Quando eu preciso voltar de São Paulo de carro, na madrugada, realmente eu evito beber, é preciso estar atenta a tudo e todos, é um verdadeiro salve-se quem puder. Mas quando saio aqui pelo ABC mesmo, nunca me preocupei muito. Em casa de amigos então, nem se fala.

Outra verdade é que eu deveria ter criado vergonha na cara muito antes da lei seca, quando perdi um grande amigo num acidente de carro. Pelo que conhecia dele, imagino que o acidente pode ter rolado pelo fato de ele ter bebido. No fundo todos nós sabíamos, só não comentamos isso, mas é fato.

Outro fato é que depois da tal lei, os acidentes diminuiram consideravelmente. A princípio achava que não duraria a paranóia. Hoje já acho que tenho que rever meus conceitos. E reaprender a andar de ônibus de vez em quando.

E no som: Eu não consigo ser feliz o tempo inteiro - Wander Wildner

13.7.08

Festival de Inverno - Primeiro Dia

Depois de muito 'vou, não vou, vou, não vou', resolvi chutar o balde e ir. Afinal, é a oitava edição do Festival de Inverno de Paranapiacaba, e eu nunca tinha ido, por motivos que não cabem no momento. Não foram graaaaaandes atrações, mas teve show da Mariana Aydar e do Seu Jorge. Assistimos os dois e apesar de parecer samba demais pros meus ouvidos, gostei dos dois, mais do Seu Jorge, que tem um carisma incrível no palco, além de um grave na voz que eu acho demais, sempre.

Pra quem tem acesso fácil às linhas da CPTM, é um ótimo programa para o próximo final de semana. Vem Lenine no sábado e Zeca Baleiro no domingo. Imperdível.

Problema é a infra-estrutura do festival... pra encontrar uma cerveja gelada na vila não é fácil. Refrigerante também não. Transporte, o mais rápido é de 30 em 30 minutos. Mas mesmo com os problemas, sábado que vem estou lá de novo! Além de bons shows, tem o clima da vila inglesa, um charme só!

1.6.08

O mundo é bão, Sebastião!

Ontem, sábado, teve show do Nando Reis no SESC Santo André. Mais de um mês atrás eu fui comprar o ingresso pra ir, e já estava esgotado. Mas aí, graças ao jornalista, consegui assistir, depois de um mês me auto-flagelando por não ter conseguido ingressos.

Titãs é uma das bandas que cresci ouvindo, desde os primórdios até hoje em dia. Mas os novos trabalhos já não gosto. Estranho notar como com a saída de duas pessoas, uma banda desanda totalmente. Primeiro, o Arnaldo, depois o Nando. Ainda pago pra ver tanto um quanto outro, mas há muito que não pagaria pra ver Titãs. Pensando bem, acho que nem de graça... Mas ainda cheguei a ver Titãs com o Nando, sem o Arnaldo.

O show durou mais de duas horas, as músicas são basicamente as mesmas dos dois últimos albuns ao vivo, ambos lançados pela MTV. Durante uma hora, ele fica sentado, tocando músicas mais acústicas. Na hora seguinte, músicas mais pesadas, todos em pé, ele e os Infernais.

Notamos que o público do homem envelheceu (e nós não?). Um público que aparentava ter entre 30 e 40 anos. Sem contar o fato do show ser no SESC, onde tem um público próprio, que difere bastante dos shows em outras casas ou parques e praças. O que é bom, pois se fosse um show de graça, estaria cheio de gente que nunca ouviu falar do cara, mas estaria ali pra ficar no meio da muvuca. Infelizmente, gosto de shows, mas sou a favor de uma "elitização" disso. Mas isso é assunto pra um outro post.

26.5.08

Parada, eu fui!

Como disse antes, fui pra Parada Gay nesse domingão de sol. Nunca tinha ido, e gostei muito. Só alguns probleminhas rolaram...
Primeiro, logo no início, o carro do Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas) foi impedido de participar. Foi uma verdadeira pancadaria por parte da polícia pra tirar o pessoal da avenida. Não acho que precisamos ver esse tipo de coisa numa festa que pede a liberdade e a igualdade.
Lá pelo início da noite também se podia ver o tamanho do consumo de alcool pelos participantes. Uma coisa é beber pra ficar alegre, outra é beber pra cair, passar mal. E muita gente bebeu pra passar mal.
Tentei tirar várias fotos, mas não saíram grandes coisas... do alto dos meus quase 1,60m não dava pra ver muita coisa. Queria ter, pelo menos, 1,80m de altura.
O movimento estima que compareceram à Parada cerca de 5 milhões de pessoas. Uma grande festa, sem dúvida.

13.4.08

Show de Graça

Show de graça é sempre lindo. O show pode nem prestar, mas é sempre um acontecimento incrível. Hora de rever pessoas, beber, dançar, cantar, rir, deitar na grama, abraçar, dizer tchau, até o próximo.

Hoje teve showzinho bancado pela Telefonica em terras andreenses, em comemoração do aniversário da cidade. Os Paralamas do Sucesso dividiram o palco com Frejat e Vanessa da Mata. Logo de início imaginei que não seria tão bom, e de fato, o que se viu foi um show que parecia não ter sido ensaiado, participações estranhas, falhas nos vocais. Pô, é triste crescer ouvindo aquela maldita música e quase trinta anos depois o cara errar a letra. E não são músicas que foram esquecidas, não. São aquelas que qualquer ser que escuta rádio conhece. Enfim, valeu pela distração, algumas músicas bacanas e muita gente conhecida. Aliás, a participação da Vanessa da Mata foi quase nula. Ela cantou UMA música dela. UMA. E não foi a que eu queria ouvir. Nem a do banho de chuva, não., foi Good Luck / Boa Sorte. Triste, muito triste.

7.4.08

A primeira resenha a gente nunca esquece

Não que eu nunca tenha escrito nenhum texto sobre algo que vi ou ouvi, mas esse foi o primeiro a ser publicado em algum lugar que não o meu fotolog. Então, como estou numa completa falta do que falar, lá vai o texto na íntegra. E não que meu final de semana tenha sido tedioso, bem pelo contrário, mas não pretendo fazer deste blog um "meu querido diário", apesar de ter o nome de Diário. Ah, chega. Vamos ao que interessa:

Ozzy Osbourne, Black Label Society e Korn: Estádio Palestra Itália - São Paulo/SP

por Bel Gasparotto

Os portões do Parque Antárctica foram abertos por volta das 16h30, quando já se podia ver uma verdadeira multidão em frente ao estádio. Apesar do grande número de pessoas, a entrada foi tranqüila e relativamente rápida.

O show do Black Label Society iniciou às 19h30 em ponto, e a impressão que dava é de que muitos estavam ali no estádio para ver, exclusivamente, a banda de Zakk Wylde. O grupo tocou por cerca de 40 minutos, agitando muito os que já a conheciam e prendendo a atenção dos que não são ainda familiarizados com o som do Black Label Society. O primeiro show termina com Zakk pedindo ao público que o esperem voltar com o Ozzy.

Às 20h30 o Korn sobe ao palco. Aparentemente, o show que teve uma duração aproximada de uma hora, não animou. Realmente as pessoas que estavam ali queriam Ozzy e mesmo durante o show do Korn gritavam sem cessar pelo “príncipe das trevas”.

Às 22h15 as luzes do estádio se apagam e os telões começam a exibir um vídeo com várias cenas satirizando grandes sucessos da mídia norte-americana, como Lost, Piratas do Caribe e Família Soprano. Ainda nos bastidores, Ozzy provoca o público dizendo que quer levá-los à loucura. E enfim sobe ao palco com a música “I Don’t Wanna Stop”, de seu novo trabalho, “Black Rain”.

Ozzy segue quase o mesmo ‘set list’ das apresentações anteriores, tocando em seguida “Bark at the Moon”, “Suicide Solution”, “Mr. Crowley” e mais uma do novo álbum, “Not Going Away”. O público, sempre fiel, parece bem familiarizado com as músicas novas, cantando junto como o faz nos maiores sucessos da carreira de Ozzy. Aos que queriam um pouco de Black Sabbath, Ozzy cantou “War Pigs”, com as tradicionais cenas de guerra no imenso telão no fundo do palco, “Iron Man” e “Paranoid”, música que encerrou a apresentação que durou pouco mais de uma hora e meia.

Para quem esperava encontrar ali uma simples lembrança do que foi Ozzy Osbourne, o show impressionou. O homem não pára durante a apresentação, não fica devendo nada: incita o público, abaixa as calças e joga baldes de água na galera, tudo como sempre fez, e como sempre todos querem vê-lo fazendo.

Ao final, o público saiu satisfeito, comparando a apresentação com a que ocorreu em 1995. Esse público, composto em sua maioria por pessoas de 20 a 30 anos, deseja não ter que esperar tanto tempo para ver o bondoso velhinho de novo, desejando boa noite e que Deus os abençoe.

Texto publicado originalmente no Território da Música, dia 07/04/2008