Hoje acho que não quero ver nenhum filme não... momento de instrospecção.
in.tros.pec.ção
[Do ingl. introspection.]
S. f.
1. Observação da vida interior pelo próprio sujeito; exame que alguém faz dos próprios pensamentos e sentimentos.
Primeira conclusão:
Preciso mudar de emprego, mas não sei nem por onde começar. Nem sei o que mais eu sei fazer além de lecionar. Aceito dicas.
6.1.10
Pausa?
15.7.08
Diálogos perdidos
No conselho de classe, após 4 horas de trabalho quase sem parar:
- Qual o problema? Ele tem muita falta!
- Feijoada.
- Como é?
- É isso, ele come feijoada aos domingos e quartas, nas segundas e nas quintas passa mal e não vem pra escola.
****
- Qual é esse?
- O que se masturba na sala.
- Ah tá. Próximo, e esse?
- O que nem se masturba.
- É, devagar mesmo. E esse?
- Ah, esse é aquele que a gente tem que ficar em cima o tempo todo.
- Vida dura a da professora dessa sala, heim? Um só se masturba, outro nem isso, outro a professora tem que ficar em cima o tempo todo...
22.5.08
Impropérios
Frases soltas ouvidas numa noite estranha, vindas de alguém que, por incrível que pareça, sinto saudades:
"É, casei. Essa vida louca não dava mais pra mim. É igual transporte coletivo: você pode entrar, sair, não precisa se preocupar em conservar... mas uma hora você acaba querendo um carro só pra você."
"Tem 14 mulheres pra cada homem! Imagina todas elas tentando? Uma delas, às vezes consegue, não se culpe e nem espere que seja diferente, é a lei."
"Pra que você quer sair de casa? Tem tudo lá. É só fingir que não é com você, ou que o que seus pais falam não dói. Mulher é boa nisso. Finja que não dói, uma hora pára de doer mesmo."
Eu não acredito que ouvi essas entre outras coisas. O autor das frases aí é um antigo amigo de trabalho, tinha quase um ano que não o via. Gosto dele, mesmo não valendo nada, ele não é falso, é autêntico. É isso aí, quem não gosta, nem se aproxime. Gosto de pessoas autênticas, das que não mudam pra agradar ninguém.
***
Continuo aceitando possíveis participações pro meu possível projeto de blog sobre sonhos bizarros.
16.5.08
A pergunta da semana
O mundo anda acabando à minha volta. Minhas amigas estão com problemas, vêm me contar coisas tão impossíveis de se resolver quanto opinar. Aí penso, ainda bem que no meu trabalho não existem perguntas e diálogos tão complicados... isso até um dia dessa semana.
- Então, pessoal, a história é dividia nesses cinco períodos (...), e a Idade Contemporânea é a que estamos vivendo hoje, ela começa com o processo da Revolução Francesa, que foi uma das mais famosas revoluções da burguesia (...) e desde então passamos a eleger nossos representantes, coisa que até então não acontecia, pois antes o poder era concentrado na figura do rei.
- Pro, então sempre que acontece uma grande mudança na história, muda o período?
- Mais ou menos. Uma grande mudança para os países mais poderosos, os que "manipulam" a história mundial.
- Então por que com o fim da Segunda Guerra Mundial, quando os EUA jogaram a bomba lá no Japão, não entramos em outro período? Não foi nessa época que eles se mostraram como o país mais poderoso do mundo? Isso não é o fim de uma era e começo de outra?
- !!!
Pessoas, eu lhes digo: esse aluno veio do Piauí, está na quinta série. Escreve mal pra caramba, mas me deixou sem palavras. Depois da aula fui conversar com o garotinho de sotaque bacana. É maníaco por história, e tem um irmão historiador. Eu heim. Tem alguém de Piauí que me visita? O que andam ensinando pras crianças daí?
1.5.08
Papo de doido
- Posso sentar com vocês?
- Já sentou, tudo bem.
- Não demora que nossos namorados podem chegar a qualquer momento.
- Tudo bem, só tô afim de bater um papo...
- Tá, fala.
- E aí, vc vem sempre aqui, né?
- Papinho furado, né, amigo.
- Qual o seu signo?
- Câncer
- Trancado dentro de mim mesmo eu sou, um canceriano sem lar... E você?
- Detesto signo, detesto quando perguntam sobre ele.
- Tudo bem, não toco mais no assunto, ué.
- Olha lá, seu amigo tá indo embora.
- Tudo bem, depois encontro ele. E aí, o que vocês fazem?
- somos professoras
- !
- Que que tem?
- As duas? Professoras? Aqui, no boteco bebendo?
- ?
- Não é comum, né?
- É sim, mais do que você imagina.
- Professoras de quê?
- História
- Artes
- História? Ah, então que tal me ajudar a saber sobre meus antepassados?
- Não sou exotérica, não vejo o passado, sou professora.
- É que sou descendente dos Fenícios.
- Putz. Legal. Eu trabalho até as 18h, depois disso a aula é mais cara. Mas vou dar uma amostra grátis. Seus antepassados desenvolveram e destacaram-se no comércio marítimo na Antigüidade.
- Caramba, são professoras mesmo! Tô quase acreditando que as duas tem namorados mesmo.
- Temos sim, e já estão chegando.
- Estranho vocês duas aqui, sozinhas.
- Sabe o que é estranho, meu amigo? Nós estamos aqui tentando conversar, mas você sentou, não levantou mais e não deixa a gente conversar com esse papinho furado.
- Puxa. Tá bom, vou embora. Mas qual o seu signo? Deve ser de peixes.
- Tchau!
16.4.08
Papo de bar
Enquanto isso, numa mesa de boteco...
- Ah, mas eu não posso, lá na igreja cobram essas coisas da gente.
- E sexo oral tudo bem?
- É, tudo bem não, mas pelo menos continuo virgem.
- Sexo oral não é sexo? Então anal também não?
- Aí já é introdução.
- Existe uma tabela de aceitáveis e não aceitáveis? Uma chupadinha tudo bem, introdução é fogo eterno na certa?
- Não, a gente usa de bom senso. Eu decidi guardar a parte mais importante pro cara certo.
- E você acha que esse não é o cara certo? Entendi. Então diverte-se com o pobre do errado mesmo...
- Ah, um pouquinho de diversão não faz mal, né?
- Deixa de ser egoísta, fica regulando essa mixaria, dá logo pro cara! Depois a terra te come e você não goza!
4.3.08
No café
- Luiz perguntou de você no sindicato. O que, de fato, aconteceu? De onde se conhecem, afinal?
- Nada. Três dias no congresso e nada, apenas litros e litros de café, tentando falar com ele, mas não trocamos nem dez minutos de conversa.
- Ele contou de outro jeito essa história. Disse que aconteceu algo entre vocês, mas não entrou em detalhes.
- Aconteceu. Pensa que é fácil, três dias procurando assunto pra falar com alguém, com copos e mais copos de café, pensando em começar a fumar pra ter desculpa pra chegar perto? E o remédio que fomos levar no chalé dele, depois da 1h da manhã?
- Não conversaram? Nada? Que tá acontecendo com você? Você não era assim...
- Não sei. Tô cada dia mais tímida, mais sem atitude diante dessas situações.
- Mas agora ele tá atrás de você, já sabe até a escola em que você está.
- Mas depois de tanto tempo já passou a vontade. Não quero mais. Nisso ainda não mudei, quero, tento, espero, não consigo, desisto. A fila anda, bola pra frente.
- Mas você anda diferente, por isso pensei que fosse o Luiz.
- Ah é, mas o amor platônico continua sendo meu forte.
Pra ler ouvindo Timidez, do Biquini Cavadão, versão da Penélope, que é mais legal.
Na verdade nada esconde essa minha timidez...
