Eu lembro quando ninguém tinha telefone celular. Durante a minha infância, nem telefone fixo nós tínhamos. O telefone em casa foi instalado por volta de 1998, depois do último plano de expansão (!!!), quando os preços das linhas cairam vertiginosamente. Telefone celular eu comprei quando trabalhava e estudava o dia todo, mas já tava no final da faculdade, lá pra 2000, 2001.
Pesquisa escolar era feita na biblioteca. E era emocionante, afinal, era uma desculpa para ir ao centro da cidade sozinha, sem os pais. Na biblioteca tinha o pessoal muuuuuito mais velho, do colégio. Aí a bibliotecária entregava o livro com o tema que pedíamos (como ela sabia onde tinha tudo?) e íamos lá, copiar tudo, palavra por palavra, e com lápis, não podia usar caneta lá. Um dia descobrimos que havia uma máquina de xérox no andar de cima, mas tinha que subir escondido, com o livro mais escondido ainda. Aí veio a tar da interrrrnete e acabou com os problemas dos estudantes. A maioria nem sabe mais pra que servem aquelas mesas nas bibliotecas públicas.
Lembra do Correio? Ele ainda existe, mas hoje se ocupa de entregar aquelas correspondências indesejáveis, todos sabem quais são. Mas teve um tempo em que eu mandava cartas, pra várias pessoas. Pegava uma folha de caderno, escrevia, escrevia, escrevia, desenhava, dobrava, colocava num envelope, desenhava no envelope também, ia até o correio, colava o selo e lá ia minha cartinha. Uma semana depois a minha resposta estaria no portão. Mais uma vez, a marvada interrrnete veio e acabou com o barato. Não reclamo dos e-mails, mas pelo menos não recebíamos cartas com orações, pedidos de ajuda, casos mirabolantes da noite de são Paulo, nada disso.
Sim, o computador, esse mesmo, na sua frente. A primeira vez que usei isso foi no primeiro ano da faculdade, em 1998. Mas mantive a minha máquina de escrever por um bom tempo. Na faculdade tinha um monte de laboratórios (na verdade só 3), todos com acesso à net, um luxo. Não demorou pra eu viciar naquilo e matar aula pra ficar no bate-papo do uol. Logo consegui comprar o meu.
Música também mudou um pouquinho... lembro da época em que começaram a vender os tais cds. O primeiro cd que eu comprei eu nem tinha o aparelho pra tocar ainda. Lembro de ter comprado alguns discos novos, na loja. É, disco de vinil. Comprei muitos usados também. Hoje acabo não comprando nada, baixo tudo o que eu quero. Era uma briga pra achar 'aquele' disco. Hoje você entra na comunidade Discografias, no orkut, e tem tudo lá, tudo mesmo.
Será que já não vivi inovações demais não? Ainda vou ter que presenciar o novo acordo ortográfico mesmo? Me deparei com isso hoje, ao escrever no meu plano de aula da sexta série: Contrarreforma. Minha nossa! Contrarreforma é de doer. Outra coisa que ainda tá doendo é autorretrato. E o Word não tem atualização, e nem tá com muita pressa, pelo o que andei lendo. Nós professores podíamos ao menos receber uma capacitação gratuíta né?
Quase 29 anos, quase quase mesmo. Quantas coisas ainda vão mudar desse jeito? E nem comentei da fotografia, heim?
2.3.09
Eu e o acordo ortográfico
16.1.09
Music non stop!!!
Então o ano começou pra mim. Sim, começou proque nessa semana comprei o ingresso pro Radiohead. Na verdade nem ligo muito pro Radiohead, só quis ir mesmo quando soube da abertura do Kraftwerk. Esse foi o primeiro ingresso que comprei em 2009, o primeiro de muitos, pelo o que os meios de comunicação noticiam. Tem algumas coisas que não tem preço pra mim, uma delas é um show.
Pessoas ao meu redor não entendem isso, mas é algo que só quem gosta, quem não vive sem música entendem. Não tem preço ver os caras ao vivo, ainda que seja pelo telão, são eles lá, eu sei. Pensando nisso, tentei fazer uma lista de bons shows que vi no ano passado, mas seria muito grande e cansativo. Resolvi fazer o Top Five com os melhores e mais marcantes. Lá vai:
5 - Casa das Máquinas, na Virada Cultural
4 - Ozzy Osbourn
3 - The Cult
2 - REM
1 - Queen
Foi difícil chegar nessa lista. Em vários outros que fui teve um fator muito agradável, que foi a companhia. Jene Loves Jezebel, Echo & the Bunnymen, Ney Matogrosso, Violeta de Outono, Adriana Calcanhoto. E o Whitesnake, e o Judas Priest? Sim, gosto muito variado o meu, o que complica bastante, afinal, quero ir em todos os lugares ao mesmo tempo. Tomara que esse ano seja tão bom quanto foi o que passou. E que venha 2009!!!
9.11.08
Tudo pra mim!!!
Sol. Sorvete de chocolate. Cerveja gelada. Praia com sol e cerveja gelada. Ouvir música. Ouvir o barulho da água caindo. Chuva forte. Dias frios na cama. Dias quentes na grama. Cheiro de mato. Cheiro de dama-da-noite. Cheiro do mar. Som do vento nas árvores. Deitar no chão pra ver as estrelas. Entrar no carro pra viajar. Falar besteira com as amigas. Não ter hora pra dormir. Não ter hora pra acordar. Acordar com o toque da mão dele. Café da manhã. Café o dia todo. Música o dia todo. O abraço dos alunos. A atenção dos amigos. O olhar fixo das crianças enquanto falo. O beijo dele. Receber uma ligação inesperada. Festa, festa, festa. Sair pra comer. Sair pra beber. Sair pra dançar. Rapidinha antes de sair de casa. Carinho olhando no olho. Fazer uma foto perfeita. Ver fotos. Ver obras de arte. Assistir filmes. Passear, pra todo e qualquer lugar. Não planejar nada, fazer tudo. Tudo ao mesmo tempo agora!
5.11.08
Eu, Prô Bel, 28 anos, responsável. Eu?
Hoje teve reunião de pais, foi a última do ano, pois no quarto bimestre não fazemos reunião, os alunos apenas vão no dia marcado, lá pro meio de dezembro, pra ver na lista o tão esperado 'aprovado', ou não. O fato é que não me acostumo nunca com a reunião de pais.
Acho o maior barato fazer reunião. Desde que comecei a dar aula, mesmo quando era só professora substituta, já fazia reuniões com os pais. Já devia ter acostumado, mas é muito estranho aquelas senhoras e senhores vindo perguntar dos filhos e pedir conselhos. Engraçado como eles confiam na gente, como depositam todas as fichas em nós. Alguns sabem que passamos mais tempo com os filhos deles do que eles mesmos. Outros também devem saber que nós sabemos mais do que eles da vida dessas crianças.
Mas o que eu mais acho estranho, e não consigo me acostumar é com o fato deles virem até a professora, no caso eu, a Bel, e me depositarem tanta confiança e responsabilidade. Às vezes acho que não sou responsável nem comigo mesma, nem de mim cuido direito. Como vou cuidar dessas crianças? E não é algo que só eu acho não. Muitas pessoas que conheço (muitas mesmo) dizem que pa-ga-ri-am pra me ver dando aula, sinal de que não sou assim uma pessoa que inspira responsabilidade mesmo.
Mas no entanto eles vão lá, sempre falar com a Prô Bel. Acreditam nela. Eu heim...
28.6.08
Costume
É sábado, e ela acostumou com os beijos dele. Não é aquele costume ruim, acomodado. É aquele que faz falta. Que a faz fechar os olhos e pensar nos beijos dele, pra ver se passa um pouquinho essa falta. Acostumou também com o olhar silencioso. Com os dedos dele correndo suavemente pelas suas costas, e os dela, pelo peito dele, com os olhos fechados. Acostumou-se a não ter vergonha de acordar junto. Será que ela está mal acostumada?
24.6.08
Ana
Eu nunca fui uma menina popular, nem na escola, nem no bairro. Mas ela era popular. Todos a achavam linda, engraçada, gostosa. Não tinha notas boas não, mas isso também era coisa de para os cdfs, tipo eu. Todos queriam ser da sua turma, a turma mais divertida da escola. A turma que matava aula, a que fumava na frente da escola, que já todo mundo já tinha beijado alguém. Algumas meninas da turma já tinham até passado um poquinho dos beijos de língua na saída da escola.
Ela tinha a pele clarinha, cabelos pretos, lisos, olhos verdes e grandes. Não era magra, tinha o corpo com formas adultas já. Na escola, os meninos babavam por ela, mas ela não queria saber de nenhum: podia se dar ao luxo de gostar de um cara mais velho do que a gente, ele já devia ter uns 18, 19 anos. Nós, no máximo 13.
Depois da oitava série, cada uma seguiu o seu caminho, sempre vivendo no mesmo bairro, mas por algum motivo, não nos encontramos mais com freqüência. Conquistei minha própria turma, mas nunca fui popular como ela. Das vezes que a encontrava no ônibus, no mercado, na padaria, conversávamos futilidades, nada mais. Os encontros ficaram cada vez mais escassos, e assim passaram-se anos sem que soubesse do seu paradeiro. Hoje abri a janela e a vi passando.
- Psiu!
Estava com uma criança com mais ou menos 6 anos. Seu filho. Nem de longe se parecia com aquele cara de quem ela gostou por anos e anos. Ela também não se parece mais com aquela garota da escola. Com uma feição cansada, seus olhos verdes não são mais chamativos, parecem que perderam o brilho. Andava aparentemente curvada, talvez pelo frio que fazia pela manhã, ou pelo costume de andar atrás do filho, ou por desleixo. Suas roupas não combinam entre si, moleton, blusa de soft, toca, cada coisa de uma cor. Ela se vestia bem. Sua voz é triste. Digo que a cena foi triste, imagem e som.
Como é que uma pessoa cheia de vida chega a perdê-la assim, desse jeito? Será que ela era cheia de vida? Ou será que ela é cheia de vida hoje? Acho que não. Tive a impressão, por alguns instantes de que ela virou adulta, preocupando-se com filho, casa, cozinha, roupas pra lavar, e eu continuei adolescente, trabalhando praticamente só pra mim, preocupada em não ficar no sofá na noite do sábado. Como foi que nos tornamos pessoas tão diferentes?
Após 10, 15 minutos de conversa, cada uma seguiu a sua vida, com a certeza de que não voltarão a se encontrar tão cedo.
- Mas quem sabe você ainda não dá aula pro meu filho?
27.4.08
Virada Cultural SP 2008
Gente, quero comentar sobre a Virada. Mas ainda não estou em condições físicas e psicológicas para tal. Juro que falo mais sobre isso, mas agora ainda estou chocada e cansada. Vi coisas que achei que nunca veria na vida. Simplesmente lindo. Vai então uma música dos Mutantes, pra mim, uma das melhores deles. Acho que traduz muito bem o que acontece nesses shows.
UMA PESSOA SÓ
Os Mutantes
Eu sou
Você é também
E todos juntos somos nós
Estou aqui reunido
Numa pessoa só
E todos juntos somos nós
Uma pessoa só
Vcê também está tocando
Vcê também está cantando
Estamos numa boa pescando pessoas no mar
Aqui
Numa pessoa só
Eu sou o começo sou o fim
Sou o "a" e o "z"
Todos juntos reunidos
Numa pessoa só
17.3.08
Santo André, 18h20 pm
Hoje choveu o dia todo na cidade de Santo André. Escolas já possuem uma arquitetura, ao meu ver, depressivas (ou repressivas?). Num dia escuro como o de hoje, é angustiante passar a tarde trabalhando numa escola, chego a agradecer aos alunos por terem vindo.
Mas hoje, ao final da última aula, parecia que os deuses pintaram, sob encomenda, um lindo pôr do sol. Sim, com chuva e tudo. Pela janela quadriculada da sala de aula, entre as cortinas quase brancas, lá estava ele, o crepúsculo, o horizonte com aquele tom alaranjado, lindo, lindo.
Existe algum deus responsável pelo entardecer? Aceito grego ou romano, tanto faz.
...
Em tempo: hoje faz aniversário o Plano Collor. Lá se vão vinte anos daquela patuscada, como diria o próprio. Eu tinha dez anos, e embora meus pais não tivessem um puto pra ser confiscado, eu lembro do episódio, sempre gostei de noticiários, plantões e pronunciamentos oficiais. Fui procurar no youtube o vídeo, e não achei o original, só reportagens relembrando o fato. Uma pena. Me fez lembrar do filme Terra Estrangeira, do Walter Salles, em que a mãe de um dos personagens principais morre, logo no início, em decorrência de um ataque do coração, por causa do confisco. Aí aparece a cena da Zélia na TV, dizendo que era necessário "fechar as torneirinhas". Pô, esse filme é demais, assistam. Destaque para a cena da Zélia e para a que a Fernanda Torres canta Vapor Barato. Só vendo.
...
Ainda, em tempo:
Foto tirada sexta-feira, na minha primeira comemoração de aniversário. Primeira porque teve a segunda, que foi no sábado. Essa foi na Thaberna da Bruxa, e a de sábado, no Autobahn. Dias agitados... Essa é a única foto em que apareço, acho que é o primeiro aniversário que não tiro fotos, por que será?
Por que não fiz três posts separados, heim? Quantas perguntas!
8.3.08
Nosso dia
Sempre penso nessa história de emancipação feminina. Quem diria, 100 anos atrás, que estaríamos onde estamos? Mulheres sustentando casas, criando filhos sozinhas, trabahando em jornadas triplas. Falo isso com conhecimento apenas da minha classe, o professorado, onde é muito comum quem se divide em dois cargos na educação e os serviços domésticos. Mas não é isso que me deixa agoniada.
Hoje não há nada de errado em uma mulher tomar a frente numa conquista amorosa. Mas qual é a mulher que realmente gosta de assumir esse papel? Falo isso por mim. Me vejo cada vez mais independente em todos os sentidos, menos nos assuntos amorosos. Profissionalmente fazemos e acontecemos, mas no campo sentimental, continuamos esperando alguém para fazer e acontecer pela gente. Digo isso por pessoas próximas a mim também. Sempre esperamos um convite, uma ligação no dia seguinte, uma palavrinha que levante o ego da gente. Sim, às vezes damos uma forcinha, demonstramos interesse, e até partimos pra cima mesmo, mas não é isso que queremos fazer sempre. Até porque nos preocupamos de forma exagerada com o que "ele" vai pensar da gente.
Nesse dia mundial das mulheres, eu queria de presente um manual da mente masculina, com alguns passo-a-passo para determinadas situações... Prometo que se eu ganhar, copio e passo pras amigas.
2.3.08
Já?
Já quis demais alguma coisa? Já conseguiu? Já desistiu?
Já amou muito alguém? Já achou que amava? Já descobriu que não amava mais? Já descobriu tarde demais?
Já saiu sem rumo? Já apareceu sem ser convidado? Já convidou quem nunca apareceu?
Já ouviu a mesma música milhões de vezes seguidas? Já desejou nunca mais ouvir uma música?
Já se envergonhou de alguma atitude tomada? Já se arrependeu de tê-la tomado? Já se arrependeu de não ter feito algo?
Já acordou com a pessoa errada? Já viu o sol nascer com alguém? Já viu o sol se pôr?
Já falou demais? Já riu demais? Já chorou demais?
Já sentiu saudade de quem você mesmo expulsou da sua vida? Já sentiu saudade de quem está todos os dias com você? Já sentiu saudade sem saber do quê?
Já desejou algo que nunca conseguiu?
Já quis demais alguma coisa?
Já?
Pra ler ouvindo Já, do Titãs.
