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| Eu era assim. 1996-1997. |
5.10.11
Minha Adolescência
23.8.11
Coração Dodói?
Hoje descobri (ou assumi? ou aceitei?) que uma parte do meu coração tá dodói. Não é aquela parte que cuida de levar o sangue pro resto do corpo, essa parte faz o seu trabalho direitinho. Nem é aquela parte onde algumas pessoas tem uma casinha com vista pro mar e moram lá. Não. É uma parte que me dizia há muitos e muitos anos o que eu faria da vida, mesmo eu fazendo de conta que não a escutava.
Essa parte do meu coração é a que fazia com que ainda aos 10 anos de idade, eu já juntasse colegas em casa pra repassar algumas lições de matemática (veja só!) e de português numa lousinha dada pelos meus pais. Fazia também com que ao longo de todo o ginásio (hoje Fundamental II) eu juntasse sempre alguns colegas na sala em busca de explicações das matérias. No colégio (atual Ensino Médio) fez com que, mesmo eu odiando estudar, juntasse amigas em algumas casas pra explicar como montar o bendito balancete, ou discutir legislação trabalhista. Fez com que na Telefônica eu ficasse sempre encarregada de ensinar o trabalho aos novos no setor em que eu trabalhava. Fez com que eu escolhesse uma faculdade de Humanas, Ciências Sociais e depois, História. Na segunda fez com que eu fosse praticamente uma monitora em uma ou outra disciplina. Foi na época em que me rendi e fui ganhar pra ensinar. Já se passaram 9 anos da primeira vez em que entrei numa sala de aula. Sim, eu me encontrei lecionando, eu nasci pra isso.
O problema, o que vem adoencendo essa parte do meu coração é tão complexo que nem ao menos vejo uma luz no fim do túnel. Adolescentes cada vez mais desinteressados por tudo, apáticos diante de uma sociedade que valoriza cada vez menos o conhecimento, o sentimento, a educação em geral. Toda uma sociedade em que dia após dia crianças entram nas drogas sem pensar no amanhã. Uma geração que embora ainda sonhem (eu acho que sonham), não fazem absolutamente nada pra seguir seus sonhos. Outro problema é a instituição do Estado, na qual encontro-me empregada. Embora na TV apareça o contrário, a valorização do professor, do conhecimento passado por ele, é zero. A valorização do ser humano que lida com centenas de outras vidas todos os dias não existe. O que existe é uma pressão de todos os lados para se diminuir a evasão, a reprovação e as notas baixas, custe o que custar. A vitrine deve sempre ser bonita, não importa como estamos vivendo lá dentro. Não importa se temos condições precárias, se alunos vão à escola apenas por um benefício em dinheiro, se alunos passam drogas dentro da sua sala, se não existe condição física na escola (falta de água, luz). Importa que o professor atribua boas notas aos alunos.
Como um bichinho, tudo isso corroeu aquela parte do meu coração e começou uma verdadeira devastação em outros setores da minha vida. Sono, bem-estar, humor, auto-estima, auto-confiança, ânimo, tudo isso foi pro ralo. Pela primeira vez na vida preciso me afastar de uma das coisas que mais gosto de fazer, lecionar, pra ver se consigo voltar a fazê-lo como sempre fiz, com amor, como um sacerdócio. Tudo isso é realmente muito novo pra mim, e pretendo voltar a escrever por aqui (promessa velha) e contar como será esse meu retiro. Desejem sorte.
30.12.10
Balanço da década
Hoje li num blog por aí uma lista das 10 melhores e as 10 piores coisas da década e fiquei com inveja. Só que realmente não sei se vou conseguir numerar minha lista desse jeito, mas vamos ver...
Melhores...
- Vi o show do Paul McCartney, que eu achava que nunca veria na vida;
- Passei pela cirurgia de redução de estômago, estou hoje com 68kg, peso que não lembro quando eu tive antes disso;
- Conheci alguém que me traduz, que me agrada, que gosta do que eu gosto e que me acompanha muito além de passeios, como achei que não fosse encontrar;
- Comprei meu carro;
- Aprendi a dirigir e ainda não matei ninguém;
- Com o meu carro descobri que só não vou onde eu não tiver dinheiro pra pagar a gasolina;
- Vi o show dos Mutantes, mesmo sem a Rita, foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida;
- Me efetivei no Estado como professora depois de 3 anos de sala de aula;
- Me formei em duas faculdades: em 2001 foi Ciências Sociais, e 2005, História.
- Me mudei de casa, minha família saiu do aluguel.
Piores...
- Cheguei a pesar 107kg, e ainda achava que estava tudo bem;
- Comprei o carro, mas não terminei de pagar ainda;
- Me efetivei no Estado como professora. Sim, isso aparece como melhor e pior, vivo hoje um misto de amor e ódio com a minha profissão;
-De 20 aninhos pulei pra 30, como da noite pro dia;
- Perdi um amigo;
- Perdi meu pai, companheiro inseparável de Jornal Nacional, sorvete e virado à paulista;
Adoro listas, mas essa não foi fácil fazer. Tanto que nem consegui um número fixo de coisas. No final acho que o saldo acaba sendo positivo, mesmo nas piores coisas. De tudo, o que sobrou foi bom, foram boas lembranças.
19.10.10
5 meses
Saúde física x saúde mental
Hoje faço 5 meses de cirurgia. Inegável o ganho de saúde física. Operei com 96kg, mas cheguei a pesar 107kg. Hoje, com 76kg, não sinto mais cansaço, dor nos pés, dor no corpo, falta de ar. Estou comendo menos e melhor, pouco me satisfaz e aprendi comer bem. A pressão baixou também, embora nunca tenha sido alta, e até os exames ginecológicos vieram sem nenhuma alteração. Se tem a ver, acredito que não, mas é só mais um exemplo de que nunca estive tão bem de saúde em toda a minha vida. Até a infecção de urina que eu tinha praticamente durante todo o tempo me livrou. Hoje consigo fazer quase duas horas de academia e não chego em casa morrendo, nem tenho que parar por causa da falta de ar.
Mas parece que tudo tem um preço, e esse tá sendo bem alto. Não falo das guloseimas que hoje me fazem mal. Falo da minha cabeça, dos meus pensamentos, das minhas angústias, essas sim estão me fazendo mal de verdade.
Minha auto estima nunca foi tão baixa, nem na época em que pesei 107kg, pelo contrário, até me achava bem interessante. Estranho como antes eu não sentia tanto a necessidade de elogios, e hoje, mesmo os tendo esporadicamente, não me bastam. Nunca basta, nada basta. Poucas coisas ou quase nada me traz satisfação. Tenho a impressão que começo a perder o prazer de fazer várias coisas, e nem comprar roupas mais me atrai. Vontades eu tenho várias. Vontade mesmo de comprar roupas, sapatos, fazer tatuagens, mudar drasticamente o cabelo, sumir do trabalho, vender o carro e gastar todo o dinheiro em inutilidades, viajar, passear. Mas é óbvio que não faço absolutamente nada disso pela falta de grana e coragem.
Mas o que mais dói mesmo é a falta da auto estima, a impressão de que estou tanto quanto ou mais gorda do que antes. A sensação de que nunca vou ser vista como alguém magra, desejável. Junto com as neuras quanto ao corpo é inevitável que sujam outras neuras, como a sensação de que gostaria de ter mais atenção das pessoas, ou de que apenas enche o saco de todos, e que todos podem realmente estar de saco cheio de você. Penso às vezes que talvez o desejo de aceitação tenha ajudado muito na minha decisão pela cirurgia, mas que passando o tempo, meu corpo mudou, não meus defeitos. Talvez eu continue chata, carente, grudenta e na verdade, solitária, sem lá muitos amigos e amigas, sem muitos ombros onde eu possa chorar tudo isso. Solitária, acho que é assim que hoje estou me sentindo.
Balanço final? Não sei. A razão diz que é positivo. Mas tenho saudade de me sentir bem.
Música linda, do Itamar Assumpção e Alice Ruiz, cantada pela Zélia Duncan e Anelis Assumpção. Hoje ela me faz bem.
17.8.10
Eu e minhas neuras
Do lado esquerdo, em Minas Gerais, 2007, com 107kg, no auge do meu peso. Depois disso passei a me cuidar mais, principalmente a tentar mudar meus hábitos alimentares. Nesse ano eu ainda trabalhava a noite, chegava em casa por volta das 23h30 e ainda jantava. Além da péssima alimentação, era totalmente sedentária.
Do lado direito, em casa, semana passada, com 78kg. Não lembro de uma época da minha vida que eu tenha tido esse peso. Claro que tive, mas não lembro. Vejo pelas roupas que uso quanto tempo fazia que eu não tinha esse peso. Meu maior passatempo hoje é experimentar minhas roupas velhas guardadas sabe-se lá por que motivo. Roupas guardadas há mais de 10 anos hoje servem, como a calça comentada aqui no outro post. Roupas que eu usava há 8, 9 anos, já não servem, estão grandes. Vejo o tanto de roupa que guardamos e que agora eu fico com pena de me desfazer.
O fato é que realmente, a cabeça tem que estar muito legal pra passar por esse emagrecimento todo em tão pouco tempo. Sim, é ótimo! Quando coloco uma roupa que não servia a autoestima vai lá pra cima! Mas também tem o outro lado, o de continuar me vendo com 107kg, continuar me sentindo assim, mesmo sabendo que não estou. Tem a deprê de olhar fotos como essa aí em cima e não acreditar, não entender como é que eu fui deixar chegar nisso. Afinal, isso foi opção? Ou não? Como é que naquela época eu não conseguia enxergar meu próprio tamanho? Por que esperei tanto tempo.
Me dizem que tudo tem sua hora, me dizem que estou ótima. Mas a grande pergunta que me angustia é esse dilema: antes eu era imensa e não me via assim, hoje estou com um peso que não me lembro de ter tido, e me sinto imensa.
Bom, ainda falta 18kg, cheguei na metade da minha meta. Boa sorte pra mim.
27.4.10
Pensa num domingo perfeito
* Acordar na cama dele
* Pegar o carro e ir pro Ibirapuera
* Chegar e pegar um sol lindo, num céu lindo
* Assistir um show em homenagem aos 100 anos do Adoniran Barbosa
* Ouvir músicas que fizeram parte da minha infância, que lembram a minha relação tão breve com meu vô
* Quando acabar o show, olhar pro relógio e decidir que dá tempo de ir pra Paranapiacaba
* Chegar lá e almoçar na Lourdes, R$10 e come-se até sair rolando
* Encontrar amigos queridos na Vila
* Assistir mais um show, agora do Renato Teixeira, bicho-grilismo na veia
* Ter ao lado alguém que acompanha no mesmo pique tudo isso
* Isso sim é um domingão!

20.1.10
Mais pequenos prazeres
Em Santo André chove torrencialmente. Agora já não tanto, mas pouco tempo atrás ruas inundaram, carros parados e perdidos por todos os lados. Todo dia agora é isso. Assim como todo dia também meus pais brigam e me fazem pensar como a vida a dois, debaixo do mesmo teto, deve ser impossível ao longo dos anos. Sinceramente, pensando rapidamente, não consigo pensar num casamento que durou muito tempo. Tô falando de casamento onde o casal vive junto e bem, e não apenas dorme junto, no sentido literal da palavra.
Cheguei agora em casa, todos dormindo, no escuro da sala eu sento pra aproveitar aqueles pequenos momentos, pequenos prazeres que me permito quando estou sozinha. Luz apagada, som dos pingos caindo no chão já encharcado. De vez em quando um vento balança as árvores na frente de casa, são muitas e fazem muito barulho, é maravilhoso. Um som baixinho vem do quarto do meu irmão, alguma música, acho que da Ceu. A única luz é essa, a que vem da janela da sala, fornecida pelas lâmpadas da praça que acabaram de ser consertadas.
Um pouco triste, um pouco melancolica, uma dor de cabeça infernal. Acho que é a dor de cabeça só.
9.1.10
Pequenos prazeres bobos
Agora é 1h30m da manhã. Quem acompanha o blog sabe que moro na casa dos meus pais. Agora estão todos dormindo e é a hora em que posso me permitir meus pequenos prazeres, e são coisas tão ridículas que precisavam mesmo de um post.
Andar descalça pela casa, já tenho quase 30 anos, sei que vou sujar o pé e sei que não vou ficar doente coisa nenhma, isso era só pra não sujarmos os pés.
Aproveitar e deitar no sofá da sala, de camisola, sem me preocupar se tem algo aparecendo. Melhor ainda de camisola e sem calcinha.
Respirar o ar puro de quando meu pai não está por perto, o homem é uma chaminé.
Ouvir o silêncio de quando minha mãe não está por perto pedindo/reclamando/pergundando sobre as coisas mais variadas.
Fazer xixi com a porta do banheiro aberta (sonho em ter uma casa pra fazer isso todo dia, será algum fetiche doentio? Não gosto que me vejam, só não gosto das portas fechadas).
Ligar a TV em qualquer canal, pode ser aquele de leilão de jóias, ou de vendas de eletrodomésticos, só pra olhar o colorido, sem ninguém reclamar.
Sentar-me a mesa da cozinha, com o micro, digitar um texto, sem ninguém fumando, falando, gritando, brigando, só o som dessas teclas e do meu irmão afinando o violão no quarto fora de casa.
Será que isso tudo é tão absurdo? Preciso sair de casa.
11.11.09
Coisa de mulherzinha
27.8.09
Top Five
Chega de reclamar da vida aqui. Vou começar uma série de Top Fives!
O primeiro é algo que pensei ontem, quando comentei pela net com o senhor namorado que as músicas do Paradise Lost me deixam louca pra algumas práticas nada convencionais pra esse tipo de música... Então lá vai, Top Five Fuck Songs!!!
- 05 - The Doors - Não todas, mas algumas como L.A. Woman, Five to One, Moonlight Drive, Roadhouse Blues... The End não, só serve pra suicídio.
- 04 - HIM - Todas, a voz daquele homem é o suficiente pra me deixar louca.
- 03 - Stooges - Várias, a principal é I wanna be your dog. Bem sugestiva essa.
- 02 - Paradise Lost - Algumas como Requiem, You own reality, Ethernal, etc
- 01 - Portishead - Todas, todas, todas.
Já acabou? Putz, não deu pra citar Depeche Mode (Dave Gahan, que voz, que voz!), Massive Atack... Isso sem falar nas músicas soltas pelas baladas por aí, como Soft Cell, Eurithmics, Rammestein, Sisters of Mercy (outra voz enlouquecedora) e Joy Division.
O próximo Top Five deve ser confessionário.
9.5.09
Trilha sonora da vida
Engraçado, mas sempre me vejo como o Kevin Arnold, do seriado Anos Incríveis... tudo o que ele vivia tinha a trilha certa, e era escolhida a dedo, sempre traduzia o que tava realmente acontecendo. A minha vida também tem trilha sonora.
Como pensei nisso, por que pensei nisso? Fiquei uma semana sem meu aparelho de som e quase surtei. Mas ele voltou, e hoje numa rádio tocou uma música que me fez lembrar um dia especial, alegre demais: a primeira vez que pude ir pra domingueira, cheguei lá e tava tocando This is not America, do Bowie. Até hoje escuto a música e me vem aquela sensação boa, como se pudesse de novo sentir pela primeira vez aquele cheiro de gelo seco misturado com o cheiro do Halls que o povo adorava naquela época. Aí automaticamente vem uma lista de outras músicas e dias marcantes.
My Sweet Lord, Beatles, descendo a Dr Arnaldo, guia na mão, tentando chegar na Pompéia, no festival. Lá, eu assistiria pela primeira vez Walter Franco. I Wanna Be Your Dog, Stooges, pela primeira vez no Madame Satã. Hells Bells, AC/DC, indo pro show dos próprios, primeiro show da minha vida, por muito tempo meu apelido foi esse. Dente de Ouro, Blues Etílicos, muita cerveja e sinuca no bar perto da escola. Perto do Fogo, Rita Lee, sempre alguém insistia em cantar essa música maldita quando me via. Roots Bloody Roots, Sepultura, um show que foi tão louco que nem acredito que foi de graça, fiquei dias sem voz e com dor no corpo. Apesar de Você, Chico Buarque, muita cerveja na primeira faculdade. Welcome to the Jungle, Guns n’ Roses, primeiros cigarros perto da escola onde estudei até a 7ª série. Lithium, Nirvana, minhas várias camisas de flanela xadrez pularam muito junto comigo quando essa música tocava nos sons na casa da galera. War Pigs, Black Sabbath, manhãs de domingos na porta da igreja enquanto a missa rolava lá dentro. NIB, Back Sabbath também, um reveillon e um esmalte preto que um amigo nunca mais devolveu. Pobre Paulista, Ira!, show de graça com os meninos, povo que nunca mais vi. Wasted Years, Iron Maiden, várias tardes de sábado na Galeria do Rock com uma amiga querida. Fruto Proibido, Rita Lee, uma tarde de volta da Galeria, com o disco na mão. Gallows Pole, Page e Plant, noites no Lollapalooza. L.A.Woman, Doors, misturada com álcool, faz estrago. Enjoy the Silence, Depeche Mode, na balada cria coragem.
Mas nem tudo é perversidade na minha vida. Anuciação, Alceu Valença, domingos de manhã, arrumando as coisas pra ir pro clube com meus pais. The Prophet’s Song, Queen, feriados passados conhecendo rock na casa dos avós. Êxtase, Guilherme Arantes, eu criança, ouvindo o rádio da minha mãe enquanto ela costurava o dia todo. Crocodile Rock, Elton John, casamento do meu tio, ele se arrumando pra ir pra igreja. Tiro ao Álvaro, Demônios da Garoa, vô Antonio dedilhando um violão. Go back, Titãs, uma prima mais velha tinha o disco. São Francisco, Ney Matogrosso na Arca de Noé, bicho-grilismo infantil patrocinado pelos pais. Astronauta, Replicantes, descobrindo o punk. Voltei pra perversidade...
14.1.09
Mulherices?
Acho que tô com saudade do meu fotolog, onde eu podia simplesmente colocar uma foto e pronto. E é isso, depois de tanto tempo, uma foto.
17.8.08
Fim de noite
Chegou em casa, tomou um banho. Sentou pra ver e-mails, recados e afins. Queria escrever algo pra alguém. Ligou o rádio pra distrair. Notou que não precisava escrever, já estava escrito e cantado. Apropriou-se das palavras do Lulu.
Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido...
19.5.08
Changes
Tudo nessa vida muda, meu cabelo não seria diferente. Desde sexta-feira acabou-se minha fase vermelha, aqui estou eu com meus cabelos pretos. Agora não sou mais a professora do cabelo vermelho. Tatuada sim, cabelo vermelho não.
Hey, quem gostaria de escrever num blog comunitário sobre sonhos bizarros? Eu quero criar, mas nem sempre tenho sonhos realmente estranhos... Aceito propostas.
23.4.08
Missão da Mila
Putz, dessa vez foi difícil. A Mila me mandou uma tarefa que eu fiquei um tempão pra fazer. Não por falta de repertório musical, mas por falta do que eu quero. Estranho, não? Tudo o que eu quero se resume a dinheiro, materialmente falando. O resto é tudo imaterial... Bom, a tarefa é a seguinte:
"Se você encontrasse o gênio da lâmpada e ele lhe concedesse três desejos materiais e três desejos imateriais, quais seriam? As respostas deve ser com trechos de música."
Lá vamos nós:
Desejos materiais
"Well now give me money, a lot of money"
Dinheiro, claro, sempre o dinheiro. Como viver sem dinheiro. Que atire o primeiro euro quem não quer também.
"Meu Cadillac, bi-bi, quero consertar meu Cadillac"
Cadillac é modo de dizer. Queria mesmo era uma PT Cruiser preta.
"Eu quero pinga com limão, com limão, com limão!"
Nem só de trabalho vive o homem, né? Nem é pedir demais. Na continuação da música diz que na casa do cara tem duas piscinas, uma pura e a outra com limão. Quero assim.
Desejos imateriais
"Preciso de alguém pra fugir sem avisar ninguém"
Resumindo o espírito do que eu quero. Alguém que tope qualquer coisa a qualquer hora é o meu número certinho.
"Quero uma festa punk!"
Faz tempo que não vou em uma daquelas bem podres. Nem me lembro qual foi a última.
"Eu preciso encontrar um lugar legal pra mim dançar e me descabelar"
Um lugar do Caralho, o nome da música. Por que não tem muitos lugares bem loucos pra se freqüentar, que só role som bacana e gente legal. Tem alguns, mas não muitos, e nada ace$$ívei$.
Perceberam que tudo o que eu quero, até os desejos materiais se resumem em diversão? Isso me deixou pensativa. Acho que é isso o que tá errado na minha vida, só penso em diversão. Já diz a minha mãe, "objetivos, minha filha, você tem que ter objetivos."
Vou mandar o gênio para os visitadores mais assíduos:
Letícia, do Fábrica de Sonhos
Jô, do Fragmentos de Jô
Jô, do Cinema da Vida
Edu, do Sanctuarium
Alec, do InFaces
17.4.08
Jogo do Junior
O Junior lá do Gamella me passou uma tarefa. Vou tentar fazer, mas não esperem respostas lá muito bacanas não... As dele estão beeeem mais emocionantes. Vamos lá, a tarefa é fazer uma lista com 8 coisas que eu gostaria de fazer antes de morrer. Ai jisuis...
1 - Viajar com o trem da morte até Matchu Pitchu. Aceito pessoas pra ir comigo, não dá pra ir sozinha.
2 - Passar seis meses fazendo um roteiro histórico pela Europa. Posso dormir em albergues se preciso for.
3 - Fazer faculdade de cinema, rodar um documentário sobre a 'grande' cena musical do Jd Ana Maria, em Santo André, SP (risos, muitos), sua puuuuuta evolução ao longo dos anos, bem como sua fusão com o teatro regional (kkkk, hilário). Gente, vou explicar. Tudo isso não passa de 20 moleques que cresceram comigo e foram fazer música e teatro, mas ninguém saiu do anônimo Jd. Ana Maria. Mas têm público. Nós mesmos, kkkk. Mas é séria a idéia. Cineastas de plantão, nem tentem, tenho exclusividade, acessos, fontes. Tudo meu, tudo dominado.
4 - Fazer meu mestrado em História Social, pela PUC, antes que vá à falência de vez.
5 - Bater com um taco de baseball num radar móvel de trânsito. Pra isso e preciso de alguém pra dirigir pra mim. A cena seria eu, com meio corpo pra fora do vidro do lado do passageiro, passando a pelo menos 100 km/hora e dando com o taco no fdp do agente da arrecadação. Entendam, moro em Santo André, tem mais radar do que carro.
6 - Passar ao menos um mês em Amsterdã, onde, dizem por aí, compra-se drogas com grande facilidade e ainda é permitido transar num parque lá.
7 - Já que falei em sexo... transar na praia, de preferência uma bem escura, com o som da água e só. Luz só da lua e de algumas velas (uhuuuu).
8 - Conhecer alguém que me ame como Oswald de Andrade amava suas mulheres, e que eu ame também, claro. Conhecer, acreditar no amor de novo. Ando meio desacreditada nas coisas do coração, mas ele tá de brincadeira comigo ultimamente.
Já acabou? Putz, nem falei que queria sair com o Chico Buarque, que queria ouvir o Paul cantar Golden Slumbers no meu ouvido, que queria ver o Bowie cantando Moonage Daydream só pra mim, unicamente pra mim, assistir os Mutantes com a formação original, embora ache que a Rita não é digna de tal façanha... Tá. É isso aí. Ah, não está em ordem de importâcia não... é pedir demais.
Vou passar pra quem? Vejamos...
Jô do Cinema da Vida
Marcio, do Estação Visão
Alec, do InFaces
Edu, do Sanctuarium
Anna Flavia, do Improfícuo
Letícia, do Fábrica de Sonhos
E pro pessoal do É de cagar, com exceção da Mila, senão aí não vale, ela já vai responder, aí teria mais 8 coisas pra colocar, aí vira festa. Mila, não, rs.
15.4.08
Cheiros da infância
Hoje fui ao cinema. Mas não um cinema comum, e sim a uma sessão que rolou no SESI daqui. Logo que entrei no teatro (onde rola a projeção), senti um cheiro que não sei exatamente do que é, mas lembro exatamente onde o senti pela última vez: Na parte da estante da minha tia, em que eram guardados os jogos de mesa, como dominó, ludo, damas, e o que eu mais gostava, o É proibido colar. Sentávamos meu primo, meu irmão e eu na frente da portinha da estante, abríamos pra pegar um dos jogos e lá vinha aquele cheiro. Cheiro de férias de janeiro. Cheiro de feriado de chuva.
Enquanto esperava o início do filme, com um copo cheio de café, me coloquei a relembrar os cheiros que me causam mais saudade. Outro é o cheiro da cozinha da vó Angelina. Mas esse eu sei o que era, era a gordura de porco que ela usava na comida super saudável que preparava pra gente. Perdoem, naquela época não se falava em colesterol, gordura trans, ômega 3 e essas coisas modernas. Eram os anos 80, pô. Aquele cheiro estava presente o tempo todo naquela cozinha, onde passei alguns dos dias mais alegres da minha infância. Quando a vó fazia a gente comer toda a comida, senão não comeria a sobremesa. Quando íamos fazer a "boquinha" antes de dormir, depois de assistir um filme à noite. Quando eu aprendia a pintar as unhas com a minha tia. Quando ficávamos olhando meu tio, ainda solteiro e moço, jogar água gelada em quem estivesse tomando banho pela janela do lado. Quando o vô achava ruim por causa da gritaria. Quando a vó brigava porque montávamos uma mesa de ping pong na cozinha, com a mesa de jantar. Lembro do último dia que senti esse cheiro, um dia triste. Após o enterro da vó, o vô chorando no canto da cozinha, com o lenço da vó na mão. Ainda o vi mais uma vez, e lá se foi o vovô também, e aí parecia a infância indo embora de vez.
O cheiro do perfume da vó Alayde. Esse ela já tinha deixado de usar, mas ainda lembro. Nas últimas vezes que a vi, já não usava mais. Essa vó era meio brava... igual à minha mãe. Minha mãe não gosta de perfumes.
Tem cheiros que me lembram coisas ruins também. O remédio que eu usei quando, aos 9 anos tive uma complicação de uma catapora. Ele era aplicado na pele, pra cicatrizar, e tinha um cheiro que só em alguns hospitais voltei a sentir, era um tipo de mercúrio, vermelho, em spray. Cheiro da gaveta do criado mudo que eu tinha no meu quarto quando, aos 10 anos, fiquei internada por causa de uma infecção nos rins, lá eu guardava meus gibis que li durante a semana de internação. Só de passar na frente de consultórios odontológicos sinto o cheiro do dentista. Esse realmente me apavora.
Os cheiros da infância se encerram com o que eu marco o do início da adolescência e suas descobertas: o cheiro de halls verde, aquele de menta. Era o cheiro da domingueira que eu ia, quando aos 14 anos comecei a sair com as amigas pra ir em algum lugar além do shopping e da biblioteca. Logo que se entrava na Sunshine (danceteria já decadente na época, e que adorávamos), se sentia o cheiro do hálito de todo mundo, era o halls. Ali iniciava outra fase da vida, outras diversões, bem menos simples do que as de antes. Aliás, a vida nunca mais foi muito simples.
Mas continuo com a mesma mania olfativa. Cada pessoa tem um cheiro, independente do perfume, se usa ou não. Todo mundo tem um cheiro, todo lugar tem um cheiro. Não que eu saia por aí cheirando os outros, mas esses cheiros chegam até mim, quase que junto com a imagem, com a voz das pessoas. Quase sempre é involuntário. Outras não.
Uma segunda-feira triste e chuvosa só podia terminar com um texto melancólico mesmo...
11.4.08
Dos sentimentos
Pra ler ouvindo Sacarina, da Érika Martins com o Telecats
Já dizia um amigo das antigas: tem dia que a noite é foda. Esse é um dos dias, essa é a noite. O dia foi bom, mas a noite não promete nada. Penso que deve ser alguma compensação divina... se você teve um ótimo dia de trabalho, não terá a mesma sorte na noite. Mas o fato é que tô de mau humor a toa mesmo, sem motivo aparente e, antes que perguntem, não é TPM.
Acho que é só vontade de ser alguém que não sou. Ou que sou, mas não tenho coragem de ser, dá pra entender? Vontade de não dizer onde vou, com quem e até que horas. Vontade de não ter que saber nada disso, apenas ir. Vontade de ser aquela mulher fodástica, que tá afim, vai e consegue. Vontade de ser aquela pessoa que chega sozinha no bar, e as pessoas vão sentar-se ao seu lado. Vontade de chegar e dizer o tamanho do meu querer, do meu desejo bem como sua urgência, sua intensidade. Vontade de perder a classe, a educação, a vergonha na cara. Vontade de não ter vergonha nem medo dos próprios sentimentos, escondendo-os, e sim gritando aos quatro ventos, foda-se quem não estiver feliz com eles. Eu gosto deles, dos meus sentimentos.
São eles que me deixam assim, triste como hoje, feliz como quase sempre. São um pouco idiotas eles, alguns existem sem mais nem menos, alguns desabrocham com o passar do tempo, outros insistem em não morrer quando tento matá-los jungaldo-os desnecessários. O fato é que eles estão sempre brigando com a razão, uma luta que parece eterna, cotidiana, angustiante.
Às vezes, como hoje, acho que eles deveriam se organizar de uma vez por todas, destituir a razão do cargo, e instituir o golpe definitivo. Seria só sentimento, sem nenhuma razão.
Desculpem-me os palavrões e a confusão. Mas escrevi como saiu e não quero mudar. A razão ficou um pouco acoada depois disso. Espero que ela renuncie antes do golpe.
9.4.08
As três professoras

As três professoras têm quase a mesma idade, e quase a mesma história de vida. Namoraram desde o início da vida adulta, e de repente, viram-se solteiras, adultas e independentes. Ainda não eram amigas, e talvez essas e outras coincidências tenham aproximado as três. Algumas pessoas falam em destino, outras não acreditam em destino.
Curtiram aproximadamente 6 meses de uma vida que nem conheciam direito. Elas mesmas se impressionavam quando chegava o domingo, e viam que estavam saindo desde quinta-feira, sem parar. A vida noturna às vezes é traiçoeira. Ao mesmo tempo que diverte, te satisfaz, causa, logo depois, uma sensação de vazio, solidão. Só notaram isso alguns meses depois. Durante os seis meses, divertiram-se como nunca haviam feito antes. Lugares, pessoas, atitudes, horários, ritmos que quem as conhecia não acreditava. Até apelido o trio ganhou: as panteras, uma loira, uma morena e uma ruiva.
Um dia, numa balada, uma delas conheceu alguém especial. Envolveu-se com esse alguém e, pouco a pouco, distanciou-se das outras duas, que seguiram firme e forte, porém, já não tão entusiasmadas com a vida noturna. Como disse, cansaram.
A segunda conheceu alguém que a princípio não representou grande importância, mas ao longo dos dias, meses, essa importância aumentou. A terceira, quase ao mesmo tempo, também conheceu alguém bacana, e deixou-se envolver. Essas duas continuam se vendo com razoável freqüência, mas já andam disponibilizando tempo a mais para alguém que não a amiga.
Feriado na cidade, as três aproveitaram pra se encontrar. Depois de um dia de desencontros, ali estavam as três, na mesa de um bar, rindo do que viveram até ali e de como as coisas estão agora. Contaram das novidades, ouviram as das amigas e beberam, em plena terça-feira. Afinal, pantera que é pantera, não tem dia pra sair, e uma vez pantera, pantera para sempre. Lembraram do trato feito meses atrás, que mesmo que conhecessem alguém, continuariam se vendo.
Engraçado como a vida das três mudou de forma tão rápida meses atrás, numa sincronia assustadora. Dizem coincidência. E agora outra vez acontece. As três passam pelas mesmas sensações de novo. São três situações diferentes, mas sensações, sentimentos muito semelhantes. Assustador. Uma diz que é destino. Outra não acredita em destino. Outra ainda acredita mas não confia, prefere chamar todo mundo pra casa dela de vez em quando. E assim pagam a conta, e vão seguir a vida de cada uma, acreditando que contiuarão se vendo por anos e anos, as três professoras.
2.4.08
Meme Se eu fosse...
Li hoje no InFaces o Meme que o Alec respondeu, e como ele deixou lá, quebrado, pra quem quisesse se meter à besta, lá fui eu, como sempre. À primeira vista lembra muito aqueles cadernos de enquete que tínhamos na época da escola, com aquelas perguntas bobinhas, e tal. Mas não é muito fácil responder isso não. Aí vai a minha tentativa:
Se eu fosse um mês seria… Janeiro
Se eu fosse um dia da semana seria… Sexta-Feira
Se eu fosse um número seria… Cinco
Se eu fosse um planeta seria… Marte
Se eu fosse uma direção seria… Pra frente
Se eu fosse um móvel seria… Cama
Se eu fosse um liquido seria… Café
Se eu fosse um pecado seria… (esse é difícil, sou um por dia) Ira (hoje)
Se eu fosse uma pedra seria… Quartzo rosa
Se eu fosse um metal seria… Prata
Se eu fosse uma árvore seria… Ipê Amarelo
Se eu fosse uma fruta seria… Banana (bem doce)
Se eu fosse uma flor seria… alguma orquídea amarela
Se eu fosse um clima seria… Quente com tempestades no final da tarde
Se eu fosse um instrumento musical seria… Piano
Se eu fosse um elemento seria… Fogo
Se eu fosse uma cor seria… Preto
Se eu fosse um animal seria… Cachorro
Se eu fosse um som seria… O que o vento faz nas árvores
Se eu fosse uma letra de música seria… Bola de meia, bola de gude (14 Bis)
Se eu fosse uma canção seria… She's Leaving Home (Beatles)
Se eu fosse um estilo de musica seria… Rock
Se eu fosse um perfume seria… Angel
Se eu fosse um sentimento seria… Paixão
Se eu fosse um momento seria… Agora
Se eu fosse um livro seria… A Rosa do Povo (Carlos Drummond de Andrade)
Se eu fosse uma comida seria… (Sorvete vale?) Sushi
Se eu fosse um lugar (cidade) seria… Amparo (SP)
Se eu fosse um gosto seria… Doce
Se eu fosse um cheiro seria… Chuva caindo na terra
Se eu fosse uma palavra seria… Ósculo
Se eu fosse um verbo seria… Pensar
Se eu fosse um objeto seria… Caneta
Se eu fosse uma roupa seria… Camiseta preta
Se eu fosse um chapéu seria… Boina
Se eu fosse uma parte do corpo seria… Olhos
Se eu fosse uma expressão seria… Alegre
Se eu fosse um desenho animado seria… Bob Esponja
Se eu fosse um filme seria… O Fabuloso Destino de Amelie Poulain
Se eu fosse forma seria… Círculo
Se eu fosse uma estação seria… Verão
Se eu fosse uma frase seria… "And in the end, the love you take is equal to the love you make" (The End, Beatles)
Não vou passar pra ninguém, assim como o Alec fez. Deixo aí pra quem quiser responder, assim como eu fiz. E se for responder, me avisa, quero ler.



