Pra ler ouvindo Pé na Porta, Soco na Cara, do Matanza.
Foi difícil, mas acho que entendi que os meios de comunicação mais atuais do que o telefone, como orkut, twitter, blog e msn são tão práticos quanto o precursor. Prá quê tanta gentileza afinal? Não quer falar com alguém, simplesmente desligue na cara, ou melhor, tire do gancho.
Já tentei ser educada, gentil. Sempre detestei insistência, e hoje temos por toda a internet um bando de loucos que vivem mendigando contatinhos, depoimentinhos, fotinhos, etc. Quando é desconhecido é simples, clico no ignorar, bloquear, negar, e por aí vai. Problema é quando a insistência vem de alguém conhecido, não amigo, claro.
Decidi que foda-se o que os outros pensam e quantas vezes vão se revoltar pela minha falta de civilidade, companheirismo, delicadeza, amizade. Amizade? Será que amizade não é algo recíproco? Deveria ser pelo menos. Se eu não tenho interesse numa amizade, não rola, sorry. Egoísmo? Sim, talvez. Mas realmente, amizade que não acrescenta nada, e se perigar, subtrai, não é amizade, é muleta. Por isso acho que hoje a palavra amizade anda subvalorizada, acham que amizade é uma obrigação. Acredite, tem gente que acha que temos obrigação de sermos seus amigos. E que fique bem claro o tipo de interesse ao qual me refiro, ok? Não falo em vantagens, falo em experiências a serem trocadas, emoções, conversas, risos, segredos. Isso tudo, a afinidade, faz de alguém interessante ou não, na falta dela.
Esses dias fiz uma limpeza nos meus contatos e e-mails. Quem importa ficou, quem não importa, sorry, mas não acho necessário ficar fazendo política de boa vizinhança a troco de nada, ou pior, tendo prejuízos ridículos. Aos quase 30, é isso que decido e acho que tenho esse direito. Egoísmo, sim. Mas piedade e pseudo amizade não sustenta nem acrescenta. Como disse, periga sair no prejuízo.
Ou fazia isso, ou cometia um suicídio virtual.
4.2.10
Dias de fúria
20.8.08
O Chico e eu
Por conta de um antialérgico sedativo que estou tomando tenho passado o dia com um pouco de sono. Hoje cheguei da escola e deitei na cama só pra descansar um pouquinho. Logo 30 minutos depois o telefone tocou, e acordei. O Chico! Eu tava sonhando com o Chico Buarque! Tentei voltar a dormir, e a sonhar, mas não deu. Lembrei que costumo dizer que adoraria ser amiga do Chico. Vamos imaginar...
Você lá, no bar, tomando uma cervejinha com o Chico. Aí bate aquela fome, você sem grana. Aí ele vira aqueles olhos azuis pra você e diz: "Vamos lá em casa que a mulher vai fazer uma feijoada". Eu nem gosto de feijoada, mas diz que vai ter mais um monte de cervejas geladas, um torresminho... Ah, meu amigo!
Imagina ser amigo de um cara que escreve a música Cálice na década de 70? Ou de um cara que inventa um pseudônimo pra escrever letras 'censuráveis' durante a ditadura e não contente, ainda inventa de dar uma entrevista como o pseudônimo?
Ah, mas o cara vem de boa família. Certa vez um repórter, ao visitar a casa dos pais do Chico, escreveu que a mãe dele estava num canto da sala tomando o seu wisky. Chico ficou bravo quando leu tal infâmia e reclamou: Wisky nada, era pinga!
Um cara que consegue ver poesia no cotidiano, no marginal velho e novo, na conquista do Brasil, no carnaval... No mínimo assunto esse cara tem pra conversar. Quem sabe ele até me escrevesse um Samba de Orly, um Bye Bye Brasil?
Quanta prentensão a minha... o remédio deve estar causando alucinações.
4.5.08
Inacabado
Era uma sexta-feira, a semana foi cansativa, corrida. O trabalho pra fazer em casa amontoava-se sobre a cama. Olhou para tudo aquilo enquanto ouvia a previsão do tempo. "O final de semana será de muito sol, céu azul e temperaturas baixas no litoral de São Paulo".
Abriu o guarda-roupas, pegou algumas peças, incensos, velas e o seu perfume. Pegou também a agenda telefônica, discou um número quem nem tinha decorado ainda. Ao atender, disse simplesmente, em tom calmo:
- Separe o que você precisa pra um final de semana. Em 20 minutos passo pra te pegar. Vamos passear um pouco. Quero ser teu pão, ser tua comida, todo amor que ouver nessa vida, só por dois dias. Quero tua língua, quero o teu sexo, e quero tua companhia pra uma cerveja na orla pra descansar. Quero enlouquecer junto com você, quero implorar por palavras doces e sujas, pesadas e carinhosas, pelo desejo, e pelo descanso depois, nos seus braços.
***
Está inacabado, mas pretendo continuar. Esse inaugura um novo marcador: surtos. Ah, não, não estive nesse paraíso durante o feriado, essa foto é antiga. Mas seria o lugar perfeito.
