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| Eu era assim. 1996-1997. |
5.10.11
Minha Adolescência
23.8.11
Coração Dodói?
Hoje descobri (ou assumi? ou aceitei?) que uma parte do meu coração tá dodói. Não é aquela parte que cuida de levar o sangue pro resto do corpo, essa parte faz o seu trabalho direitinho. Nem é aquela parte onde algumas pessoas tem uma casinha com vista pro mar e moram lá. Não. É uma parte que me dizia há muitos e muitos anos o que eu faria da vida, mesmo eu fazendo de conta que não a escutava.
Essa parte do meu coração é a que fazia com que ainda aos 10 anos de idade, eu já juntasse colegas em casa pra repassar algumas lições de matemática (veja só!) e de português numa lousinha dada pelos meus pais. Fazia também com que ao longo de todo o ginásio (hoje Fundamental II) eu juntasse sempre alguns colegas na sala em busca de explicações das matérias. No colégio (atual Ensino Médio) fez com que, mesmo eu odiando estudar, juntasse amigas em algumas casas pra explicar como montar o bendito balancete, ou discutir legislação trabalhista. Fez com que na Telefônica eu ficasse sempre encarregada de ensinar o trabalho aos novos no setor em que eu trabalhava. Fez com que eu escolhesse uma faculdade de Humanas, Ciências Sociais e depois, História. Na segunda fez com que eu fosse praticamente uma monitora em uma ou outra disciplina. Foi na época em que me rendi e fui ganhar pra ensinar. Já se passaram 9 anos da primeira vez em que entrei numa sala de aula. Sim, eu me encontrei lecionando, eu nasci pra isso.
O problema, o que vem adoencendo essa parte do meu coração é tão complexo que nem ao menos vejo uma luz no fim do túnel. Adolescentes cada vez mais desinteressados por tudo, apáticos diante de uma sociedade que valoriza cada vez menos o conhecimento, o sentimento, a educação em geral. Toda uma sociedade em que dia após dia crianças entram nas drogas sem pensar no amanhã. Uma geração que embora ainda sonhem (eu acho que sonham), não fazem absolutamente nada pra seguir seus sonhos. Outro problema é a instituição do Estado, na qual encontro-me empregada. Embora na TV apareça o contrário, a valorização do professor, do conhecimento passado por ele, é zero. A valorização do ser humano que lida com centenas de outras vidas todos os dias não existe. O que existe é uma pressão de todos os lados para se diminuir a evasão, a reprovação e as notas baixas, custe o que custar. A vitrine deve sempre ser bonita, não importa como estamos vivendo lá dentro. Não importa se temos condições precárias, se alunos vão à escola apenas por um benefício em dinheiro, se alunos passam drogas dentro da sua sala, se não existe condição física na escola (falta de água, luz). Importa que o professor atribua boas notas aos alunos.
Como um bichinho, tudo isso corroeu aquela parte do meu coração e começou uma verdadeira devastação em outros setores da minha vida. Sono, bem-estar, humor, auto-estima, auto-confiança, ânimo, tudo isso foi pro ralo. Pela primeira vez na vida preciso me afastar de uma das coisas que mais gosto de fazer, lecionar, pra ver se consigo voltar a fazê-lo como sempre fiz, com amor, como um sacerdócio. Tudo isso é realmente muito novo pra mim, e pretendo voltar a escrever por aqui (promessa velha) e contar como será esse meu retiro. Desejem sorte.
29.5.11
Rabugentices dominicais
Manhã de domingo. Cara inchada de sono no volante. Farol fechado. Estaciona ao lado um carro Nissan, do tipo que eu nem sonho ter um dia. Abaixa o vidro filmado e um moçoilo fala alguma coisa. Lista ordenada de possibilidades:
1. Meu carro ta pegando fogo ou ta com o pneu furado. Ou as duas coisas. Sinto o cheiro, penso um pouco, acho que não.
2. Eu fechei o cara lá atrás. Se eu abrir o vidro ele vai me xingar de vagabunda e ta muito cedo pra isso. Cara de paisagem e não abro o vidro.
3. O imbecil ta perdido e acha que eu conheço alguma coisa, vai me perguntar como chega sei lá onde. Eu não sei, mas vamos ver. Vai que o carro ta pegando fogo mesmo.
Com um bom humor invejável numa manhã dominical de céu azul e sol bonito eu abro o vidro e escuto a infâmia:
- Ooooiii, sabia que você é linda?
Por um momento quase achei que era melhor que o meu carro estivesse pagando fogo. Foi pegadinha isso? Ou tem gente que tem fetiche por mulher com a cara inchada e com o cabelo (ralo) despenteado? Quem o mocinho tava tentando enganar?
Ah, já sei. Ele tava é perdido mesmo e queria alguma informação. Por isso tentou me agradar. Dei uma fungada, que é a minha expressão quando não tenho palavras pra mostrar minha irritação, fechei o vidro e fui embora. O domingo continuava lindo e meu carro não pegou fogo.
1.1.11
Promessas de Ano Novo
Prometo ser mais sociável. Ou pelo menos espero tentar ser. Quero, pelo menos.
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30.12.10
Balanço da década
Hoje li num blog por aí uma lista das 10 melhores e as 10 piores coisas da década e fiquei com inveja. Só que realmente não sei se vou conseguir numerar minha lista desse jeito, mas vamos ver...
Melhores...
- Vi o show do Paul McCartney, que eu achava que nunca veria na vida;
- Passei pela cirurgia de redução de estômago, estou hoje com 68kg, peso que não lembro quando eu tive antes disso;
- Conheci alguém que me traduz, que me agrada, que gosta do que eu gosto e que me acompanha muito além de passeios, como achei que não fosse encontrar;
- Comprei meu carro;
- Aprendi a dirigir e ainda não matei ninguém;
- Com o meu carro descobri que só não vou onde eu não tiver dinheiro pra pagar a gasolina;
- Vi o show dos Mutantes, mesmo sem a Rita, foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida;
- Me efetivei no Estado como professora depois de 3 anos de sala de aula;
- Me formei em duas faculdades: em 2001 foi Ciências Sociais, e 2005, História.
- Me mudei de casa, minha família saiu do aluguel.
Piores...
- Cheguei a pesar 107kg, e ainda achava que estava tudo bem;
- Comprei o carro, mas não terminei de pagar ainda;
- Me efetivei no Estado como professora. Sim, isso aparece como melhor e pior, vivo hoje um misto de amor e ódio com a minha profissão;
-De 20 aninhos pulei pra 30, como da noite pro dia;
- Perdi um amigo;
- Perdi meu pai, companheiro inseparável de Jornal Nacional, sorvete e virado à paulista;
Adoro listas, mas essa não foi fácil fazer. Tanto que nem consegui um número fixo de coisas. No final acho que o saldo acaba sendo positivo, mesmo nas piores coisas. De tudo, o que sobrou foi bom, foram boas lembranças.
20.12.10
Psicanalista?
Querido psicanalista virtual, já que não tenho dinheiro pra pagar um de verdade...
Todos dizem que estou ótima, linda e esses tipos de adjetivos. Mas por que é que o espelho não me diz a mesma coisa? Chego ao ponte de começar a me encher com esses comentários, já que eu não tô me sentindo nem tão ótima, nem tão linda assim, com esse monte de pele sobrando. Mas não vou me prolongar nisso, já que só eu mesma é que penso desse jeito.
Outro problema sério tem sido o prazer nas coisas. Antes era fácil, tava brava, nervosa, triste, ia num supermercado, comprava uma barra de chocolate e comia, devagar e prazerosamente. Hoje isso já não é possível. Um simples sonho de valsa é suficiente pra me deixar de cama com tudo girando. Comer deixou de ser um prazer desde a cirurgia. Mas até agora não entrei outra fonte de prazer que eu possa desenvolver sozinha, dependendo apenas de mim. No começo achei que a academia fosse ajudar, mas na verdade quando chego lá já tenho vontade de vir embora. Dormir tem sido um pesadelo, a leitura também não tem sido agradável, o trabalho prefiro nem comentar. Não tenho tido paciência nem pra selecionar músicas pra ouvir no dia a dia, coisa que pra mim sempre foi essencial, como a água, como o ar. Fotografar, editar fotos, ver e fotografar lugares diferentes, não. Nada disso tem me deixado feliz.
Comprar roupas às vezes me deixa muito feliz! Mas a felicidade passa quando vem a fatura pra pagar.
Ano que vem pretendo começar a yoga, quem sabe? Se não der apelo pro tricô, crochê, bordado, porém são coisas que já me irritavam profundamente desde cedo...
10.12.10
Deve ser isso
Então é assim. Passamos anos junto com eles, dia após dia. Na sala de aula, nos corredores da escola, na internet. Ensinamos o que presta e o que não presta também. Dividimos de tudo: momentos bons, ruins, explosões de ódio, de decepção, de paixão, de surpresa, de comoção, de superação. Dividimos fofocas, impressões, opiniões nem sempre semelhantes. Debates acalorados. Lembro de um dia em que achei que a aula fosse acabar em tapas por causa de uma discussão sobre escravidão.
Durante os anos eles nos provocam os mais diversos sentimentos compreendidos entre o amor e o ódio. Às vezes um só tem o poder de causar, sozinho, tudo isso. E dentro de 50 minutos. Fazem confissões, nos abrem o mundo deles, seja para o bem, seja para o mal. Os vejo crescer, acompanho as mudanças mais significativas na vida deles, e de perto. Desde a mudança na estatura, as formas do corpo, o tom da voz, o primeiro beijo, o primeiro amor, até os primeiros passos pra uma profissão. Alguns se encaminham para o que gostam logo no começo, mesmo inconscientemente.
Mas aí um dia eles crescem e vão embora. Começam a se virar sozinhos. Te dão um abraço, agradecem por tudo, e vão seguir a vida em outros lugares. Hoje uma turma querida apresentou uma peça de teatro com direito a festinha no final e eu fui uma das convidadas de honra. Eles cresceram, se viraram sozinhos, já não precisam da gente organizando tudo. A peça foi praticamente toda feita por eles, a festa também. Eles cresceram e estão indo embora. Alguns talvez eu nunca mais veja, irão fazer cursos técnicos fora da escola. Me mataram de orgulho.
Deve ser isso amor materno. Gosto tanto deles que não consigo explicar o que realmente sinto. Como disse, alguns me provocaram o ódio e o amor em pouquíssimo tempo.
Deve ser isso. Deve ser amor.
22.11.10
O show da minha vida
Eu tenho 30 anos, sou de 1980. Quando nasci Beatles já não existia mais e Lennon seria assassinado no mesmo ano, 9 meses depois do meu nascimento. 21 anos depois foi a vez de George Harrison partir. Em 1993, quando Paul McCartney esteve no Brasil eu tinha 13 anos e ainda ouvia Beatles brincando de bonecas, acreditem. Passei todos esses anos acreditando que esse era um show que eu teria que me conformar de morrer sem ver, era um fato consumado, sem dúvida.
Mas um dia acordei com a notícia de que estavam confirmadas as datas da apresentação da nova turnê do Paul, e logo sairam as datas de venda de ingressos. Foi tudo tão rápido que foi difícil acreditar no momento em que apareceu a mensagem na tela do computador dizendo que a compra havia sido finalizada. Inacreditavel também quando chegou o ingresso e a rapidez com que chegou o tão esperado dia. Tudo o que eu acreditava ser impossível, aconteceu e muito rápido.
A ficha caiu durante as duas horas de fila na frente do Estádio do Morumbi. Milhares de pessoas uniformizadas esperando anos e anos por aquele dia. A emoção aumentou quando entrei no Estádio e, embora não tenha sido tão rápido assim, parece que em um piscar de olhos as luzes se apagaram e o homem entrou no palco. Venus and Mars, Rock Show e a minha primeira explosão em Jet. A emoção apertou mais em Drive My Car, coração batendo descompassado.
My Love, dedicada a todos os casais, me fez sentir mais falta do namorado companheiro de tantos shows. Blackbird é covardia, os olhos lacrimejam assim como em Something, na minha opinião, a mais bela música de amor de todos os tempos. Falta do namorado de novo. Animadíssimas, Dance Tonight eMrs. Vandebilt, trabalho solo que nem curto tanto assim, boa mesmo e Band on the Rum e Let'em In, que eu nem esperava ouvir. Ob-La-Di, Ob-La-Da e Back in the U.S.S.R, momentos de alegria, gritaria, saltitante. I've Got a Feeling e Paperback Writer preparam o terreno pra lindíssima e emocionante A Day in the Life com Give Peace a Chance. Aí as lágrimas que só molhavam os olhos e se continham molharam meu rosto, mesmo com um sorriso imenso estampado. Let it Be por pouco não aumenta as lágrimas secadas após o espetáculo dos balões brancos que cobriam o público em Give Peace a Chance. Live and Let Die, fogos, mais emoção e Hey Jude, lindíssima com o povo cobrindo a voz do Paul, que deixa o palco aos nossos gritos de naaaa, na na na na na naaa, Hey Jude...
Antes de pararmos totalmente de cantar, Paul volta e toca Day Tripper, Lady Madonna e Get Back, cantada aos gritos por todos como se não precisássemos das nossas cordas vocais nunca mais. Mais uma saída e antes que desse tempo de tomar um copo de água ele volta de novo pro derradeiro bis da noite. Ao violão, sozinho no palco, Yesterday. As cordas vocais foram maltratadas outra vez em Helter Skelter e os pés já cansados foram judiados mais um pouco também, impossível não pular. O fim foi anunciado em Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band, 'we´re sorry but it´s time to go'. Ao final, a música com a frase mais linda que já ouvi, a maior lição de todas, The End: 'and in the end, the love you take is equal to the love you make'.A lágrimas molharam o rosto que agora eu já notava que estava dolorido e talvez com mais rugas por conta do sorriso que não me abandonou por quase 3 horas. Agora as lágrimas eram quase de tristeza, por tudo aquilo que tinha acabado de ver, inacreditavelmente. Nos olhávamos, eu e minha cunhada, companheira dessa aventura, e falávamos "eu não acredito no que vi". Eu ainda não acredito no que vi.
Poucos dias da minha vida eu gostaria de nunca esquecer. Esse com certeza é um deles, certamente um dos mais felizes até aqui.
20.11.10
Skank e as bandas nacionais
Eu devo ter nascido ouvindo rádio, então acho que tenho alguma autoridade pra escrever minhas opiniões sobre música. Hoje fui ao show do Skank no Citibank Hall, em São Paulo, e o que vi me fez pensar muito em tudo o que eu ouvi e ainda ouço.
Todas as bandas de pop-rock nacional que eu passei minha vida até aqui ouvindo praticamente acabaram. Ou então, o fim teria sido o que e melhor poderia ter acontecido. Exemplos claros são o Titãs (Quem é o Titãs hoje? O Branco Mello?) ou o Capital Inicial. Outras bandas chegaram num ponto bacana e pararam, por exemplo, Paralamas do Sucesso. Não me queixo do Paralamas, veja bem, mas pra falar a verdade, nem sei se eles não decaíram depois dos discos que eu mais gosto, do final da década de 90. Outras ainda já nem eram grande coisa, e continuam sendo quase nada, Ultraje a Rigor, Inocentes, Plebe Rude, etc. O fato é que a maioria delas, de uma forma ou outra, não sobreviveram ao ano 2000, perderam algo ou tudo.
Mas a história não é igual pro Skank. Com uma aparição um pouco mais tardia do que as bandas que já citei, eu lembro até hoje do primeiro clip que rolava na MTV, lá pra 1993. Não que eu gostasse. Mas o fato é que os caras eram estranhos, tocavam um som mais estranho ainda e não me agradava. Aí lançaram outro clip. E outro, e outro. A cada disco era inevitável notar que os caras cresciam, não necessariamente que me agradasse. Relutei contra o pop do Skank até o dia em que lançaram o Cosmotron, em 2003. Tinha que admitir, a banda aprendeu a fazer o que eu queria ouvir. E vieram as parcerias com o pessoal do Clube da Esquina, letras maravilhosas, melodias simples e sensíveis. Sim, uma banda de pop-rock, simplesmente, mais pop do que rock, mas é boa e só melhorou ao longo dos anos.
Hoje no show que durou quase duas horas vi minha adolescencia passar na minha frente. Músicas que por puro preconceito eu negava que ouvia, ou que gostava, afinal, eu era do rock. Foda-se. O pop tá aí pra ser ouvido. Músicas que tocaram tanto que não me permitia uma avaliação na época hoje me soam muito bacanas, como Pacato Cidadão, Tão Seu, Saideira, Te Ver, Jack Tequila. Outras, lindas, me emocionam, como Balada do Amor Inabalável, Resposta, Sutilmente, Ainda Gosto Dela. Outras animadíssimas, dignas daquelas festas loucas de final de ano, Três Lados, Vou Deixar, Garota Nacional, É Uma Partida de Futebol.
Sim, Skank cresceu. E hoje eu também cresci e admito, gosto sim do Skank. Se tiver oportunidade de ver de novo, não pensarei duas vezes. Já pra ver outras bandas nacionais, depende muito. Mesmo as que eu sempre, desde o início, gostei.
31.10.10
Um dos homens da minha vida
Hoje faz 8 dias que acordei sem o meu pai. Eu acordei, ele não. Estranho pensar que eu nunca tinha considerado a possibilidade de um dia ficar sem ele, embora desde que eu me conheça por gente sua saúde nunca tenha sido das melhores. Tabagista desde sempre e sedentário, sabíamos que ele tinha problemas de saúde.
Mas ele era meu porto seguro em casa. Era um companheirismo velado, algo não declarado. Mas o fato é que ele nunca tomou partido nos meus inúmeros conflitos com a minha mãe. Essa sim, sempre foi uma relação conturbada por incompatibilidade de interesses, pensamentos, opiniões. Nos piores momentos, o máximo que ele fazia era permanecer neutro. Nunca me criticou por nada que fiz, nunca me repreendeu. Orgulhou-se quando saí do colégio e fui fazer faculdade direto. Lembro até hoje do dia em que meu nome saiu no jornal, na lista dos aprovados no vestibular, e ele me acordou com o jornal nas mãos. O dia em que fui aprovada no concurso pra ser professora também foi uma festa, menor somente do que o dia em que assumi meu cargo e consolidei minha carreira. O sucesso da minha cirurgia também foi noticiado por ele por todo o bairro, exibindo-se pelo fato de agora ter uma filha mais bonita ainda. Cada vizinho que confirmava isso, ele vinha e contava.
Momentos felizes da infância também. Passeios e mais passeios, longos domingos rodando pelas estradas de terra que não davam em lugar nenhum. Domingos fazendo churrasco no clube e fugindo da chuva da tarde. Viagens, passeios, filmes na TV, no video.
Não é porque ele foi embora que digo isso tudo, nossa ligação era clara, óbvia. Embora não compartilhássemos das mesmas opiniões em tudo, nos respeitávamos. Em política nunca concordamos, mas sei que ele se orgulhava das minhas opiniões e foi com ele que aprendi a assistir jornais e criticá-los, desde muito cedo.
Acho mesmo que vamos nos encontrar, não é possível que acabe aqui, assim. Pena que parece que vai demorar agora. O que me conforta, e muito, é tudo isso que acabei de escrever. Entre milhões de abraços de pessoas conhecidas, amigas e desconhecidos, uma frase foi a que mais me tocou e a que eu talvez nunca me esqueça. "No final, só ficam as boas recordações, as lembranças boas". Quem me disse isso foi ele, o namorado, o jornalista, ou o fotógrafo. A pessoa sem a qual eu simplesmente não sei como teria sido passar daquele sábado até hoje, um outro homem da minha vida.
19.10.10
5 meses
Saúde física x saúde mental
Hoje faço 5 meses de cirurgia. Inegável o ganho de saúde física. Operei com 96kg, mas cheguei a pesar 107kg. Hoje, com 76kg, não sinto mais cansaço, dor nos pés, dor no corpo, falta de ar. Estou comendo menos e melhor, pouco me satisfaz e aprendi comer bem. A pressão baixou também, embora nunca tenha sido alta, e até os exames ginecológicos vieram sem nenhuma alteração. Se tem a ver, acredito que não, mas é só mais um exemplo de que nunca estive tão bem de saúde em toda a minha vida. Até a infecção de urina que eu tinha praticamente durante todo o tempo me livrou. Hoje consigo fazer quase duas horas de academia e não chego em casa morrendo, nem tenho que parar por causa da falta de ar.
Mas parece que tudo tem um preço, e esse tá sendo bem alto. Não falo das guloseimas que hoje me fazem mal. Falo da minha cabeça, dos meus pensamentos, das minhas angústias, essas sim estão me fazendo mal de verdade.
Minha auto estima nunca foi tão baixa, nem na época em que pesei 107kg, pelo contrário, até me achava bem interessante. Estranho como antes eu não sentia tanto a necessidade de elogios, e hoje, mesmo os tendo esporadicamente, não me bastam. Nunca basta, nada basta. Poucas coisas ou quase nada me traz satisfação. Tenho a impressão que começo a perder o prazer de fazer várias coisas, e nem comprar roupas mais me atrai. Vontades eu tenho várias. Vontade mesmo de comprar roupas, sapatos, fazer tatuagens, mudar drasticamente o cabelo, sumir do trabalho, vender o carro e gastar todo o dinheiro em inutilidades, viajar, passear. Mas é óbvio que não faço absolutamente nada disso pela falta de grana e coragem.
Mas o que mais dói mesmo é a falta da auto estima, a impressão de que estou tanto quanto ou mais gorda do que antes. A sensação de que nunca vou ser vista como alguém magra, desejável. Junto com as neuras quanto ao corpo é inevitável que sujam outras neuras, como a sensação de que gostaria de ter mais atenção das pessoas, ou de que apenas enche o saco de todos, e que todos podem realmente estar de saco cheio de você. Penso às vezes que talvez o desejo de aceitação tenha ajudado muito na minha decisão pela cirurgia, mas que passando o tempo, meu corpo mudou, não meus defeitos. Talvez eu continue chata, carente, grudenta e na verdade, solitária, sem lá muitos amigos e amigas, sem muitos ombros onde eu possa chorar tudo isso. Solitária, acho que é assim que hoje estou me sentindo.
Balanço final? Não sei. A razão diz que é positivo. Mas tenho saudade de me sentir bem.
Música linda, do Itamar Assumpção e Alice Ruiz, cantada pela Zélia Duncan e Anelis Assumpção. Hoje ela me faz bem.
13.9.10
No provador
Entrou na loja que sempre entrava. C&A. Dificilmente comprava ali alguma roupa, tudo muito pequeno, rarapemente tinha algo para o seu tamanho. Passou entre os cabides, e foi pegando uma, duas blusinhas, um vestido, duas calças jeans. Tudo num tamanho que nem se lembra quando foi a última vez que comprou, tamanho 44. Seguiu ao provador.
As calças. Uhm, entraram. Fecharam. Olha de um lado, olha do outro, uhm, precisariam ser apertadas na cintura. Deixa-as de lado. As blusinhas. Experimentou uma, tão simples e tão cara... não. A outra, tão cara quanto a primeira, de renda, do tipo que ela nunca usaria, não frequenta lugares pra usar esse tipo de roupa. Pro cabide. O vestido. Serve, largo, porém curto. Ainda não se sente confortável pra usar um vestido mostrando os joelhos. Cabide.
Pega todas as peças e segue para a saída do provador. Com um leve sorriso nos lábios que não demonstram nem a metade da alegria que sentia por dentro devolve todas as roupas para a funcionária da loja e sai feliz da vida. Ao sair do provador o sorriso aumenta, fica menos discreto. Tamanho 44. Sente vontade de pegar o celular e ligar pra alguém só pra contar o que acabou de descobrir, seu mais novo número de manequim, tamanho 44.
Sai da loja, antes de chegar no carro ainda olha pra dentro de uma loja de tamanhos especiais como quem vê uma fotografia antiga, de um antigo relacionamento, sem um pingo de saudade. Muito feliz!
19.8.10
Do inferno ao céu em uma tarde
Hoje, 15h25:
- Quero ver se vou embora dessa escola hoje sem o meu boné! Vou pegar nem que seja a força, quem é você pra ficar com o meu boné?
Essas foram as palavras de um aluno logo após eu ter pego o boné dele. Dentro da minha escola existem algumas regras, embora não pareça, e eu as faço valer dentro da minha sala. O uso do boné, por exemplo, é proibido e todos estão cansados de saber. Por isso mesmo, esse costuma ser o artifício que alguns alunos utilizam quando querem provocar, ou mesmo testar o professor. A ‘criança’ em questão atrapalha as aulas, não faz absolutamente nenhuma tarefa, não usa uniforme, e costuma desacatar professores. Sim, eu também usei o boné dele pra testá-lo. Após dois pedidos para que retirasse o boné, na terceira eu mesma fiz, fui até ele e tirei. Agora só devolvo na presença do responsável. Resolvi, ou pelo menos estou tentando resolver dois problemas: provavelmente ele não usará mais o boné na sala, e eu ainda conseguirei chamar alguém responsável pelo garoto pra mostrar a situação dele na escola. Fato é que tudo tem seu preço, fiquei nervosa a ponto de tremer as mãos diante da ameaça que ele fez de arrombamento do meu armário.
Hoje, 17h20
- Professora, sabia que a senhora é a professora que eu mais gosto? A senhora é sempre carinhosa com os alunos, atenciosa, explica tudo várias vezes pra todo mundo, ta sempre sorrindo. Mesmo quando perde a paciência com alguém, continua tratando todos os outros muito bem. É como se a senhora fosse uma amiga nossa!
Essa foi uma aluna da sala que dei a última aula do dia, nos últimos minutos de aula. Parece que alguma coisa disse pra ela que eu precisava ouvir isso. Mas afinal, o que seria do bom se não existisse o mau, né? Problema é que damos maior atenção ao que nos desagrada e às vezes perdemos a chance de ouvir esse tipo de coisa.
17.8.10
Eu e minhas neuras
Do lado esquerdo, em Minas Gerais, 2007, com 107kg, no auge do meu peso. Depois disso passei a me cuidar mais, principalmente a tentar mudar meus hábitos alimentares. Nesse ano eu ainda trabalhava a noite, chegava em casa por volta das 23h30 e ainda jantava. Além da péssima alimentação, era totalmente sedentária.
Do lado direito, em casa, semana passada, com 78kg. Não lembro de uma época da minha vida que eu tenha tido esse peso. Claro que tive, mas não lembro. Vejo pelas roupas que uso quanto tempo fazia que eu não tinha esse peso. Meu maior passatempo hoje é experimentar minhas roupas velhas guardadas sabe-se lá por que motivo. Roupas guardadas há mais de 10 anos hoje servem, como a calça comentada aqui no outro post. Roupas que eu usava há 8, 9 anos, já não servem, estão grandes. Vejo o tanto de roupa que guardamos e que agora eu fico com pena de me desfazer.
O fato é que realmente, a cabeça tem que estar muito legal pra passar por esse emagrecimento todo em tão pouco tempo. Sim, é ótimo! Quando coloco uma roupa que não servia a autoestima vai lá pra cima! Mas também tem o outro lado, o de continuar me vendo com 107kg, continuar me sentindo assim, mesmo sabendo que não estou. Tem a deprê de olhar fotos como essa aí em cima e não acreditar, não entender como é que eu fui deixar chegar nisso. Afinal, isso foi opção? Ou não? Como é que naquela época eu não conseguia enxergar meu próprio tamanho? Por que esperei tanto tempo.
Me dizem que tudo tem sua hora, me dizem que estou ótima. Mas a grande pergunta que me angustia é esse dilema: antes eu era imensa e não me via assim, hoje estou com um peso que não me lembro de ter tido, e me sinto imensa.
Bom, ainda falta 18kg, cheguei na metade da minha meta. Boa sorte pra mim.
16.8.10
Tamanho 44!
Eu sempre quis ter uma calça velha. Acontece que todas que eu comprava deixavam de ser usadas antes de ficarem velhas, afinal, eu só engordei ao longo desses 30 anos. Mas eis que agora eu tenho uma calça realmente velha, no mais correto sentido da palavra.
Certo dia, no desespero de não ter mais roupas pra usar após a partida de 18kg do meu peso corporal, me deparo com essa preciosidade. Uma calça jeans, jeans mesmo, de verdade, sem lycra, porque na época em que ela foi comprada ainda não existia essa facilidade tá acessível assim. Achei-a entre as roupas da minha mãe e lembrei que como ela não servia mais, passei pra ela, que acabou não usando também pelo mesmo motivo, eu acho. E ela estava lá, me esperando por mais de dez anos. Tamanho 44, e agora ela me serve.
12.7.10
Lembranças musico-sentimentais
Afinal, como escreve isso? Com a revisão gramatical não sei mais. Mas enfim, acho que já disse aqui que minha vida tem trilha sonora. Isso deve ser muito comum pra quem vê na música a melhor e maior de todas as artes. Costumo dizer que música é a minha vida, sem ela pouca coisa é possível. Não passo sequer um dia sem música, mesmo que seja do rádio. Por isso resolvi listar aqui algumas coisas que me trazem lembranças boas e bem presentes.
Ceumar
Pouco conhecida, fora da grande mídia, suas músicas me foram passadas por ele, logo que nos conhecemos (ou nos reencontramos) via internet. No carnaval de 2008, numa balada anos 80, saí de lá com uma música dela na minha cabeça. Era Boca da Noite: Por amor ou euforia, tudo de novo eu faria. Tinha ficado com ele pela primeira vez.
Depeche Mode
Na mesma balada do carnaval, lembro que fui com uma amiga que me deixou só lá pela metade da madrugada. Ela foi eu fiquei e vi que deveria partir para o ataque, em busca do que eu queria. Já estava bem animadinha atilicamente quando tocou Enjoy the Silence e decidi que era isso mesmo que eu queria. All I ever wanted, all I ever needed, is here in my arms, words are very unnecessary, they can only do harm.
Eurythmics
Numa outra balada anos 80, comemorando meu aniversário, tinha só uma certeza, e não era favorável pra mim, não. Tinha quase certeza que não rolaria nada, que ele não tava tão afim quanto eu. Mas com o passar das horas e das bebidas, algo mudou, e rolou. Acho que foi ali que começou a rolar mesmo, que eu vi que ele era mesmo o que eu queria, era aquela pegada, aquele beijo que eu queria pra mim. Sweet dreams are made of this, who am i to disagree?
Velvet Underground
Era Velvet Underground que tocava no meu carro na primeira vez que saímos só eu e ele já numa situação diferente, eu sabendo que estávamos ficando juntos. Fomos a um barzinho e depois tentamos comer um lanche numa lanchonete que já não existia mais. Tava cedo, acabamos ficando no carro mesmo. Baby don't you holler, darlin' don't you bawl and shout, I'm feeling good, you know I'm gonna work it on out, I'm feeling good, I'm feeling oh so fine, until tomorrow, but that's just some other time, I'm waiting for my man. Venus in Furs também me enlouquece.
Rolling Stones
Aí não tem uma música certa, não. Mas o dia em que fui com ele no cinema ver o filme Shine a Light foi bem bacana. Primeira vez que fomos ao cinema, foi bom andar de mãos dadas com ele no shopping. Coisa boba, mas isso foi muito bom. Depois do filme, que acabou cedo, fomos pra casa dele tomar um vinho. Caía uma garoa bem fria naquela noite. If you start me up, if you start me up I'll never stop.
8.7.10
Top Five - Desejo de Comer!
Amanhã completo 50 dias de operada e a minha dieta anda razoável. Arroz, caldo de feijão, carne, legumes, coisa simples. Muito simples. Por isso faço hoje o Top Five de coisas que eu quero muito comer, e logo!
1. Pizza, qualquer uma com queijo, pode ser de alho, calabreza, frango, atum...
2. Sushi
3. Massa, pode ser lazanha ou nhoque
4. Strogonoff de frango
5. Berinjela a milaneza
Tô pedindo muito? Juro que como pouquinho.
Ai que fome.
7.7.10
Feel on black days
Eu trabalho na educação do Estado de São Paulo desde 2002. Entrei nela por opção, comecei e gostei de lecionar. Gosto de estar entre os alunos, gosto de aprender com eles, todos os dias. Não no pretérito, no presente, gosto e continuo gostando.
Porém, nesses oito anos, nunca a educação esteve tão ruim. É incrível notar como em tão pouco tempo, já me tornei alguém que pode dizer 'nossa, lembra naquela época, quando podíamos fazer isso, ou aquilo?'. Importante ressaltar aqui que a piora não é relativa aos alunos. Eles são sempre os mesmos. A piora vem do governo, que insiste em tratar o professor como lixo, como o último escalão do funcionalismo público, como o maior, se não o único culpado pela falência do ensino público.
Há anos estamos sem um aumento de verdade. Incorporação de gratificação não é aumento, Sr Governador, é aumento de arrecadação pra cofre público, no máximo. Há anos o Estado não oferece especializações, como 'naquela época' em que comecei a lecionar. Na TV tem propaganda disso, mas sou prova de que não tem absolutamente nenhuma opção para me aperfeiçoar, quero muito voltar a estudar.
A escolas estão num abandono que dá pena. Como a carreira de professor já não é nada atrativa, dia após dia professores afastam-se e deixam a sala de aula em busca de algo mais lucrativo e menos humilhante. Na minha escola, por dia, temos em média 10 turmas sem professor, já disse isso aqui. Eu, por exemplo, cuido de duas salas nos últimos 3 dias. Cuido, porque isso já não é lecionar. Acha que tô ganhando dobrado? Nem um centavo a mais no meu já mirrado salário. Faço isso simplesmente para que os alunos não se matem nem destruam e escola.
Acho incrível os pais que não notam que o filho vai pra escola e não tem aula. Acho incrível a imprensa ser tão vendida, ninguém fala sobre isso. Afinal, falar sobre a situação deprimente da educação paulista é acabar com a campanha presidencial do Sr. Serra, né? Ele não é o único culpado da nossa situação, mas o partido dele sim. Ano após ano, só fez piorar a educação. Reclamar de salário já tornou-se ridículo perante a nossa situação.
Mas afinal, quem liga pra educação? Acho que já é cachorro morto.
...
Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir...
Deus lhe pague.
29.6.10
Keep yourself alive!
Ainda estamos no final do segundo bimestre escolar, mas a neura já começou, o que eu chamo de terrorismo psicológico. Hoje, numa reunião semanal que fazemos na escola do Estado, nossa coordenadora já nos informou que não devemos deixar os alunos com notas vermelhas. Se ele tirou 3,5 é melhor arredondar pra 5 mesmo. É sério. Justificou-se ainda dizendo que se o aluno ficar com vermelha, temos que ter tudo documentado, provando o motivo pelo qual o incompetente, ops, o aluno, não teve nota. Continuou dizendo que diretora, supervisora e dirigente iriam lá na escola comprovar tudo.
É engraçado como as pessoas perdem o senso do ridículo. Francamente, um aluno no Estado só reprova se for por falta, e o fulano tem que faltar muuuuito. Tem mais, com nota vermelha só fica aquele que não faz, não entrega nada e não participa. Tem aluno analfabeto (e muito) que tem nota, por simplesmente participar da aula, dos debates. Mas agora eu teria que deixar todo mundo com notas bonitinhas, até o vagabundo que vai pra escola só pra quebrar tudo e traficar.
Aliás, quebrar tudo tem sido uma das disciplinas mais assistidas pelos pequenos lá da minha escola. Afinal, a molecada tem ido pra escola e tem ficado sozinha, das 13h às 18h20. Não temos professores, a maioria afastados por motivo de doença. Eu mesma fiquei um mês por causa da cirurgia. Não temos professores substitutos, nada. Sendo assim, as crianças ficam lá, largadas, sem aprender absolutamente nada (que preste). Mas nem é só isso. Os que tem aula também estão prejudicados, pois junte cinco turmas de 40 alunos sem professor e veja se com o barulho que eles fazem é possível estudar. E não são só cinco salas por dia sem professor.
Por que será que diretoras, supervisoras, dirigentes, quando sentam a bunda na cadeira fofinha nunca mais voltam pra sala de aula? Será porque o trabalho é um lixo? Será que por acaso não é esse povo mesmo que está jogando o meu trabalho no lixo?
Acreditem, já sou uma espécie ameaçada de extinção.
Embora a música do título seja do Queen, agoratô ouvindo Semáforo, do Vanguart. Veio bem a calhar também.
Hoje é terça-feira
O céu borrou a cor
Ó minha mão do céu
Ó meu pé do chão
Ó minha mão do céu
Ó meu pé do chão
Eu não ouço vocês
Eu não ouço vocês (mais alto)
Eu não creio em vocês
Só acredito no semáforo
Só acredito no avião
Eu acredito no relógio
Só acredito
Eu só acredito
28.6.10
Tamanhos
48 ainda é um tamanho grande, eu sei. No mundo das lojas Marisa e C&A ainda são números considerados 'especiais', ou seja, de gordo mesmo. Mas é muito bom ver a evolução da coisa.
Estou com 40 dias de operada, bem, mais feliz do que dias atrás, na dieta pastosa. Já como arroz, carne, caldinho de feijão, purê de batatas. 11kg off.



