29.5.09

Dos escândalos e de toda a hipocrisia que permeia a educação paulista

Então tá, mais um livro 'impróprio' nas mãos das pobres e inocentes crianças. Eu li Jorge Amado na adolescência, e acho que não virei uma pessoa pervertida depois de ler a singela definição do órgão sexual feminino que ele dava em um livro, xibiu. Crescemos ouvindo palavrões em músicas, conversas, simulações bem sensuais nas novelas da globo, 'causos' do mundo cão nas emissoras por aí... qual o susto?

Ah é, a escola tem que educar. Os pais não, a escola.

Ok, não concordo com o fato de alunos da 3ª série terem recebido aquele livro, são realmente muito pequenos, mas o de poesias do Manuel de Barros, me poupe. Isso foi pra garotada de 5ª ou 6ª série, já tem bastante idade pra ter escutado de tudo e mais um pouco, e também deveria ter idade pra saber o motivo daquela palavra estar ali, entender que não é algo gratuíto, que faz parte de toda uma obra. Meninas de 5ª série engravidam por aí e temos que apresentar poeminhas infantis pra sempre? Acho que o mundo tá mudando um pouco...

Enquanto isso, continuo com a minha pose de professorinha-boa-moça, que não faz nada de errado, que não bebe, que não sai, que não curte música, que não fala palavrão, que não trepa, que não vive, só dá aula. Aliás, não dou, vendo barato, bem barato.

Eu tenho medo de acordar
E encontrar
um heterônimo no meu lugar
refém da alma que eu lhe vendi
usando o que esqueci
pra ser feliz quando eu dormia em paz

Esqueça os sonhos e tudo mais
corra e não olhe pra trás
roube tudo o que for capaz
corra e não olhe pra trás

E não se iluda, nem tudo passa
ouça o conselho que dou de graça:
cuidado com o que desejar.
Nem sempre o melhor é a verdade
O tempo é pouco pra quem não tem a eternidade
com a qual se contar.

Tragam-me a cabeça de Lester Bangs, Banzé.

Um comentário:

julio de castro disse...

essa questão dos livros é o que se pode chamar de "uma cagada homérica".